Atriz Ana Beatriz Nogueira estrela peça “Um Dia a Menos”, no teatro Petra Gold

Ana Beatriz estreia na peça em setembro

Na peça, com texto de Clarice Lispector, a atriz Ana Beatriz Nogueira luta contra a solidão e a rotina. Foto: André Arruda

Para alguns, o tempo voa. Para outros, um dia equivale a uma eternidade. Na peça “Um Dia a Menos”, uma adaptação do conto homônimo de Clarice Lispector, escrito um ano antes de sua morte, o espectador tem a oportunidade de acompanhar um fragmento do cotidiano de Margarida, uma mulher que tem diante de si a árdua tarefa de atravessar um dia inteiro sozinha, dentro de casa.

Nossa anti-heroína acorda, cozinha, come, cuida da casa, lê, fica de bobeira sem fazer nada e sonha. O tempo todo, reflete sobre a vida. É uma surra de melancolia e solidão, mas que traz também uma mensagem de que a vida, ao final das contas, vale a pena. Ou pelo menos faz com que a gente se questione: vale a pena?

Em cartaz até 13 de outubro no Teatro Petra Gold, o espetáculo é um solo da atriz Ana Beatriz Nogueira, conhecida por dezenas de trabalhos no cinema (como o longa “Vera”, de Sérgio Toledo, que lhe rendeu o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim, em 1986) e 17 obras na TV, além de 14 peças de teatro.

A transposição para a cena da história de Margarida tem momentos engraçados e outros patéticos, como a vida de qualquer pessoa. “O que mais me encantou neste texto da Clarice foi justamente essa humanidade da minha personagem. Toda mulher reconhece um pouco de si na Margarida. Somos todas Margaridas!”, comenta Ana Beatriz.

No palco, a expressão dessa humanidade prescinde do apoio de muitos elementos cênicos. Isso explica a ausência de cenários exuberantes, de troca de figurinos e de um elenco numeroso. A ação foca no texto contundente e emocionante de Clarice e no trabalho da talentosa Ana Beatriz. A economia de recursos é um caminho para chegar ao essencial do teatro: o ator e a ideia contida no texto, transmitida de forma clara, terna e envolvente.

“Esta montagem de ‘Um Dia a Menos’ é incrivelmente complexa na sua simplicidade, é uma reafirmação da crença no poder de comunicação do teatro que, se resiste há cinco mil anos e sobrevive a todas as crises, é porque pode abrir mão de tudo, menos do humano. Do elemento, do questionamento e do pensamento humanos. Ainda temos muito o que entender sobre nós mesmos”, analisa Leonardo Netto, que assina a direção da peça.

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