Flávia Alessandra completa 30 anos de carreira com novos projetos e desejo de curtir mais família

Assídua na ponte aérea, Flávia Alessandra conta que já se acostumou, nas filas no aeroporto, com os comentários sobre a sua Rita de Cássia, personagem que interpreta na novela global “O Sétimo Guardião”, escrita por Aguinaldo Silva. Para quem ainda não a viu nesse divertido papel, vale a explicação: ela encarna com brilho a sensual esposa do delegado da cidade, o Machado (Milhem Cortaz), cujo fetiche é usar calcinhas.

O choque inicial de Rita ao ver o marido vestido com a sua lingerie se transformou depois em uma cumplicidade que apimentou a relação do casal. “No aeroporto, tem sempre alguém me contando que tem um amigo da época da faculdade que pegava as calcinhas da namorada ou que conhece alguém com essa fantasia. Comecei a ouvir tanta história, que acho que deve ser mais normal do que a gente imagina”, ri Flávia.

“Na verdade, acho que todo mundo tem fantasias, e não só no âmbito sexual. A fantasia tem que existir nas nossas vidas, ela é o sonho, o desejo que nos impulsiona”. Para ela, a única regra da fantasia é não ferir o outro, é o respeito: “Se existe um consentimento mútuo, vale tudo para o casal ou para quem quiser”.

A atriz conta que se surpreendeu ao ver que a aceitação dos personagens foi enorme, e entre pessoas de todas as faixas etárias e gêneros. “É um tema delicado, sem dúvida. Mas a gente trouxe à tona essa cumplicidade e esse respeito que eles têm um pelo outro. Os dois formam um casal verdadeiro, querido. Está sendo muito bom trabalhar com o Milhem, um companheirão de cena. Aprendo diariamente com ele”.

O timing do humor

Para mergulhar nesse papel, ela se inspirou na atriz Sophia Loren. Reviu todos os filmes da diva italiana, símbolo da exuberância natural. “Quando li os textos que falavam da personagem na cachoeira, só me vinha o “La Dolce Vita” (1960) na cabeça. Em alguns filmes, a Sophia Loren é aquela mulher de chinelo, sainha, fazendo a pobre, que quando chega na feira é aquele mulherão. E eu tinha essa leitura da Rita”.

Com Milhem Cortaz, companheiro de cena na novela

Depois de ter interpretado grandes vilãs – como a Cristina, de “Alma Gêmea”, e Sandra, de “Eta Mundo Bom” –, muitas mocinhas e alguns papéis cômicos, Flávia curte o retorno ao humor. “Desta vez não é uma comédia rasgada, como “Pé na Jaca”, mas um viés de humor romântico. É um caminho que adoro fazer, embora difícil. Tem que ter todo um timing para fazer rir”. E ela tira de letra a missão, com leveza e carisma.

Parece incrível, mas Flávia Alessandra está comemorando trinta anos de carreira. Aos 44 anos, rosto e corpo de menina, cresceu nos bastidores da tevê. Começou aos quatorze e não parou mais. Diz, rindo, que a grande sorte é que não trabalhou um só dia nessas três décadas: “Eu me diverti nesses trinta anos, porque, de fato, eu amo fazer isso. Caramba, é uma realização!”, se empolga.

Outra fonte de satisfação é a família. Flávia é casada há doze anos com o apresentador Otaviano Costa, com quem tem Olivia, de oito, e é mãe de Giulia, de 18, de seu casamento com o diretor Marcos Paulo, falecido em 2012. Para ela, o segredo de um relacionamento é a cumplicidade. “É a premissa para qualquer casal. Ao mesmo tempo, eu e o Otaviano combinamos de estilo. A gente costuma dosar para ter um tempo com as meninas e o nosso tempo para namorar. É importante manter esse amor, esse querer estar junto”.

Peixe frito, sacolé e pôr do sol

As horas de folga são curtidas na natureza, essencial na vida dessa simpática geminiana

O quarteto está sempre unido, seja no dia a dia carioca ou em passeios e viagens. Sempre que pode, Flávia dá uma fugida para Arraial do Cabo, onde nasceu, para curtir o mar e a vida tranquila dessa bela cidade, a 160 km do Rio. Seu próximo plano é viajar em março com Otaviano e as meninas para participar da pesca da lula, que ocorre nessa época em Arraial. “A pesca acontece em noite de lua cheia, é um momento lúdico e lindo”.

Ela busca o mar para se reequilibrar, para voltar às suas raízes. “Lá eu volto a ser a Flávia de verdade, a Flávia que come peixe na praia, toma sacolé, fica de biquíni o dia inteiro, vê o pôr do sol e adora meditar”.

Outra paixão da atriz é o trabalho social. Pouca gente sabe que Flávia Alessandra é engajada em diversos projetos. Conselheira da organização I Know My Rights (IKMR), que abraça a causa dos refugiados, ela também faz parte dos projetos Movimento Amor Sem Fronteiras e Cidades Invisíveis, e é embaixadora da Brazil Foundation.

“Eu tinha uma certa resistência de falar sobre isso, aquela coisa de que o bem deve ser praticado em silêncio… Mas eu mudei, porque acho que as coisas boas têm que ser propagadas. É uma cultura muito normal para um americano, por exemplo. Quando ele conhece alguém, a primeira pergunta que faz é onde a pessoa mora; a segunda é: ‘que projeto social você ajuda?’ A filantropia faz parte da cultura deles, é natural”.

Flávia com seu marido, Otaviano Costa, e suas filhas, Giulia e Olivia

Recentemente, ela foi para o Líbano visitar assentamentos e conhecer o trabalho com refugiados. “Na IKMR são mais de 150 famílias, a maior parte veio da Síria e de países da África. A gente tenta dar melhores condições para as pessoas recomeçarem. Desde a documentação até material escolar, atendimento médico, emprego…”

Já na Brazil Foundation, Flávia tem se empenhado na campanha Abrace Minas Gerais, para apoiar as vítimas de Brumadinho. As filhas acompanham a mãe nesse trabalho solidário. “Elas entendem que o nosso desequilíbrio social é muito grande e que algo precisa ser feito”. Além das doações, ela gosta de conhecer a fundo os projetos, visitando os lugares, as organizações e conversando com as pessoas. “No Brasil, toda ação pode fazer a diferença.”

Veja nosso questionário com Flávia Alessandra abaixo:

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