Marina da Glória reserva uma variedade de programas culturais e gastronômicos

 O entorno do Aeroporto Santos Dumont reserva boas novas para os frequentadores da ponte aérea

Há quem diga que pousar no Santos Dumont é como pousar num cartão postal. Há um pingo de exagero aí – mas que é bonito, é. Modéstia à parte, é um baita privilégio contemplar o Pão de Açúcar, a Baía de Guanabara e o Aterro do Flamengo. Apreciar a visão da belíssima Marina da Glória, no coração da cidade e a alguns passos do Aeroporto Santos Dumont…

É uma área muito rica pela própria natureza e com ótimos lugares para lazer e gastronomia. Por isso, vale reservar um tempinho para conhecer o entorno do aeroporto mais charmoso do país.

A gastronomia, por exemplo, tem levado cada vez mais gente à região. Já no Bossa Nova Mall, aquele pequeno shopping colado ao Santos Dumont, a gente encontra o Xian, restaurante asiático com menu respeitado e, principalmente, um bar que tem merecido elogios até de quem não bebe… A carta de cachaças é de primeira linha.

Mas o melhor certamente é a paisagem. O pessoal do Xian teve a feliz ideia de aproveitar ao máximo a cobertura do shopping, de frente para a Guanabara, o Pão de Açúcar, o Cristo e outros tantos morros que cercam a cidade.

No mesmo nível do Xian está o Orla 21 Club, que oferece a mesma vista e serviços de restaurante, além de organizar pequenos shows para quem gosta de um happy hour animado. E quem não gosta?

No Parque do Flamengo, o Museu de Arte Moderna (MAM) tem um dos mais importantes acervos do país

A cinco minutos de caminhada do Santos Dumont está o Museu de Arte Moderna (MAM), que merece alentada visita não só pela sua arquitetura peculiar, como também pelas exposições perma nentes e mostras temporárias. Tudo muito bacana, mas, já que estamos tratando de gastronomia, vamos ao Laguiole, restaurante do MAM, sempre presente na lista dos mais bem cotados do Rio. Lugar discreto, tranquilo e com 600 rótulos em sua carta de vinhos. Coisa fina, um dos pontos preferidos para almoço de altos executivos que passam pela cidade.

Claro que esse roteiro etílico-gastro nômico sugerido aqui não pode ser feito em um dia só, porque não existe apetite para tanto. Por isso, é importante curtir o – entorno em caminhadas leves e contemplativas. É o caso da Marina da Glória, que fica a uns dez minutos do MAM – ou quinze, saindo do Santos-Dumont.

O melhor da Marina – pelo menos para quem ainda não tem seu barquinho ou iate – é a oferta de ótimos restaurantes no seu píer principal. É fácil ser feliz em qualquer um deles. O mais recente é o Bota, com foco na culinária mediterrânea italiana, sem dispensar ingredientes brasileiros como o tucupi. A receita é caprichada no tudo-junto-e-misturado, orquestrando sabores inusitados.

Todos os restaurantes da Marina tratam muito bem os fãs de vinhos e drinques incomuns. O Urukum, por exemplo, casou gim premium com licor de açaí, entre outras combinações deveras sedutoras – como o Rio Moscow, que leva Absolut, açaí e sucos de limão e de gengibre com hortelã. Deu certíssimo. No fim de tarde, apreciando o sol cair por trás do centro da cidade, essas combinações fazer a gente ver o mundo mais colorido. Mas com classe.

Para quem gosta da melhor carne argentina, assim como dos bons vinhos do nosso país vizinho, a pedida é o Corrientes 348, com sua ótima parrillada.

Terraço do Hotel Prodigy

Outra casa da Marina que está muito bem na foto é a SoHo, especializada na culinária japonesa e já bastante premiada Brasil afora. A carta de vinhos e, claro, os drinques à base de saquê, fazem a gente querer ficar na varanda até o sol nascer.

A propósito, é bom ter em mente que a Marina conta com serviço de táxis e, como está na região central, ali não falta oferta de transporte – inclusive Uber, Cabify e afins. Além disso, fica a dez minutos de caminhada da estação Glória do Metrô.

Ou seja: não tem desculpa para fugir da Marina. Que, aliás, está se tornando referência também como local de grandes shows e eventos de moda. Em janeiro, haverá atrações do naipe de Jorge Ben Jor, Arlindinho e baterias de escolas de samba.

História do aeroporto

Muita gente não sabe que o Santos-Dumont está cravado numa área histórica do Rio de Janeiro. Sente-se, por exemplo, na varanda do Xian, abaixo na foto. A cidade foi criada bem à sua frente, aos pés do Pão de Açúcar.

Imagine-se chegando por ali em caravelas, pelos idos de 1502… Difícil resistir, e os portugueses não resistiram. Sabiam que valia a pena se estabelecer naquela baía. Só que tinham que brigar com seus legítimos donos da terra, os índios, e com franceses invasores, cheios de graça para cima da Baía de Guanabara.

O conflito aconteceu, claro, e foi para tomar posse oficialmente do lugar que o nobre Estácio de Sá criou ali uma pequena vila. Isso foi em 1565. Só que a guerra continuou e, dois anos depois, os portugueses acharam melhor fortificar e povoar o atual centro da cidade – a cinco minutos do nosso aeroporto. Na época, a Guanabara era bem maior, e tinha espaço não só para baleias em profusão, como também para inúmeras caravelas.

Quem conhece o aeroporto já reparou, também, que bem próximo a ele está uma ilhota, com os grandes prédios da Escola Naval. É a Ilha de Villegagnon. Com sucessivos aterros ao longo do último século, hoje pode-se chegar lá caminhando.

Originalmente, porém, ela ficava a cerca de 1,5 quilômetro do litoral. Tanto que serviu perfeitamente para os tais franceses que queriam tomar para si aquela bela cidade. Daí terem ocupado a ilha, sob comando do tal Villegagnon. A expulsão dessa turma só se deu em 1567.

Aliás, ainda sentado na varanda do Xian, perceba à sua direita a igrejinha do Outeiro da Glória, fincada ali desde o século XVIII. Foi edificada sobre um pequeno morro onde, também em 1567, o fundador da cidade, Estácio de Sá, recebeu uma flechada que o levou à morte.

Mas agora mude seu ponto de observação. Vá para a Marina. Sentado na varanda do Bote, você pode identificar a região da Cinelândia e o finzinho da Avenida Rio Branco, onde se vê um obelisco. Localizou? Considere, pois, que ali perto havia uma das encostas do Morro do Castelo – justamente o ponto onde os portugueses, lá no século XVI, decidiram iniciar a colonização definitiva da cidade.

Foi a partir dali que o Rio de Janeiro começou a crescer, principalmente após a expulsão dos franceses e dos índios que ocupavam a região.

Mas alguém pode perguntar: cadê o tal do Morro do Castelo? Uma pena, mas o Castelo foi totalmente desmontado na década de 1920, abrindo espaço para uma nova cidade. Que, com o passar do tempo, ganhou o Aterro do Flamengo, inaugurado em 1965. Na época, já havia o Santos Dumont, em operação desde a década de 1930, quando foi construído na área ocupada pelo antigo atracadouro de hidroaviões.

Pode-se dizer, assim, que o Aterro, com seu modesto 1,2 milhão de quilômetros quadrados, é uma espécie de quintalzinho do Santos Dumont. E sorry, Central Park.

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