Vivências cariocas: “Quando a saudade invade o coração da gente, pega a veia onde corre um grande amor…”

Quando bate aquela saudade da Jade, minha filha que tem o nome da pedra verde azulada por causa da cor de seus olhos, e mora em Fortaleza, vou até a Feira de São Cristóvão, no Bairro Imperial do mesmo nome. Vou de táxi, é claro, pois a noite promete. Lembrando sempre que se for beber, jamais dirija.

E lá fui eu matar a saudade. Primeiro às compras, depois para comer aquela comidinha típica e ouvir aquele forró pé de serra. São muitas opções com tudo aquilo de bom que o Norte e o Nordeste produzem. Tem absolutamente de tudo.

Para felicidade gustativa deste que vos escreve, fui logo comprando uma garrafa de dois litros de guaraná Jesus que tem uma história muito parecida com a da Coca-Cola, hoje sua proprietária, produzido em São Luiz no Maranhão e criado em 1929 por um farmacêutico que, pasmem, era ateu. Levei também mais dois litros de refrigerante de caju São Geraldo, produzido em Juazeiro do Norte no Ceará – você encontra também o de 250ml conhecido como “pitchulinha”.

Na saga gastronômica lá fui eu: queijo-coa lho, queijo-manteiga, quebra-queixo, manteiga de garrafa, castanha-de-caju, castanha-do-pará, pimenta-de-cheiro, carne de sol, chegadinha, colchão de moça, melado, cachaça Sapupara (conhecida no Ceará pelo apelido carinhoso de “Cururustop”), feijão-ver de… Ufa, só aí engordei um quilo (rsrs). Mas não acabou por aí, comprei ainda uma manta, uma rede com uma varanda linda, um cinto de couro de bode, dois cordéis e um CD do Jackson do Pandeiro. A essa altura a fome já batia. Sentei em um dos bancos da Barraca da

Chiquita, atendido pelo Vicente, garçom amigo, gentil, cearense cabra arretado de bom. Fui logo pedindo um caldo de mocotó para iniciar os trabalhos e uma dose de Rapariga, cachaça leve e saborosa. Complementei com o Trio Infalível: carne de sol, macaxeira frita e baião de dois, além de uma paçoca de pilão. O prato é farto dá até para duas pessoas que não estejam famintas. Eu estava! Comi tudo! Finalizei com sorvete em dois sabores na Barraca Sabor do Norte: umbu com siriguela, tudo isso, sempre, ao som de forró pé de serra da melhor qualidade (são dois palcos tocando a noite inteira).

Voltei para casa lembrando do “meu Ceará” cantarolando Fagner “…E lá nasceu a virgem do poema/A linda Iracema dos lábios de mel…/Oh! Quanta saudade/Que eu tenho de lá/Oh! Quanta saudade… No Ceará é assim…” com muitas saudades da Jade.

Campo de São Cristóvão s/n Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas

Bairro Imperial de São Cristóvão
Tel: 21 3860-1842
De 10h de sexta às 22h de domingo
Ingressos R$ 5,00

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