As vantagens da carona no bem-estar da sociedade

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A baixíssima taxa de ocupação do carro no Brasil (1,5 pessoa por veículo) está ligada aos congestionamentos nas cidades e aos tristes índices de poluição do ar, que matam onze mil pessoas por ano só na capital paulista.

Some-se a isso o individualismo, um traço cultural do qual não se pode orgulhar, e temos uma bomba prestes a explodir. Não é exagero. Este é o cenário das ruas paulistanas – a trilha sonora de buzinas é o pano de fundo.

Mas, calma, dá para melhorar. Nas ciclovias se vê cada vez mais gente, os movimentos em prol dos pedestres aumentam, lutando por calçadas seguras e mais respeito para quem vai a pé (a maior parte da população, pasme!), e os recentes investimentos nos ônibus, como wi-fi e ar condicionado, têm atraído mais gente.

Mesmo assim, quem vai de carro teima em ir sozinho. Uma insensatez, já que é contraproducente usar uma máquina com mais de uma tonelada e 100 cavalos de potência para carregar uma pessoa de 70 kg em média. Bacana é usar a capacidade total do veículo.

A carona, nesse contexto, é uma atitude sábia, solidária e sustentável. Pode ser difícil no começo, mas precisamos começar, motivar os amigos, familiares e vizinhos. Além de organizar um grupo de carona no condomínio, com os pais da escola ou os colegas de trabalho, é possível usar apps como o Waze Carpool, recém-lançado no Brasil, e a BlaBlaCar, maior plataforma de caronas de longa distância no mundo, fundada na França em 2006 e que conta no Brasil com mais de 2,5 milhões de membros.

Presente em 22 países, a BlaBlaCar tem mais de 65 milhões de usuários (entre condutores e passageiros) no mundo. Para Ricardo Leite, diretor no Brasil, é gratificante ver a adesão crescente dos brasileiros a este modelo.

A plataforma é projetada para criar uma comunidade confiável: os perfis contêm foto e dados pessoais, além de avaliações de viagem anteriores. “É um sistema seguro, que funciona bem para os dois lados. Além disso, o app é um complemento para a rede de transporte público”, ele diz, lembrando de outro atributo citado pelos usuários: a feliz troca de experiências entre as pessoas, que vão conversando pelo caminho e nem sentem o tempo passar.

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