23h-29h: La Tartine, um restô à la parisienne

Nos tempos da nossa juventude, eu e o meu finado Alfredo adorávamos ir às matinês do Cine Belas Artes assistir aos filmes dirigidos por Jacques Demy, François Truffaut, Agnès Varda e tantos outros mestres. O sotaque de Alain Delon e Catherine Deneuve, as músicas acompanhadas por acordeon, ora melódicas, ora festivas, os bistrôs da avenida Champs Elysées… tudo contribuía para um clima romântico – além da companhia do meu amado companheiro, na época, só um paquera. Poucas vezes me senti tão apaixonada pela vida como naquelas salas de cinema, assistindo aos filmes franceses nas décadas de 1960 e 1970.

Esses dias, no entanto, a vida me trouxe à tona o mesmo sentimento daqueles anos. Dessa vez não no cinema, mas à mesa, no La Tartine. Com uma fachada externa envidraçada, mostrando o interior do local como nos bistrôs que víamos nas telas, ele fica no início da rua Fernando de Albuquerque, entre a Consolação e a Bela Cintra, curiosamente perto do Belas Artes.

A meia luz do abajur, somada aos quadros e pôsteres apinhados nas paredes, proporciona uma intimidade. Os garçons, todos com gravatas-borboletas, têm muitos anos de casa e trazem espontaneidade e tranquilidade ao diminuto estabelecimento comandado por um dono francês.  A trilha sonora com músicas animadas  completa a cena.

Quanto às comidas, o bistrô oferece tudo aquilo que eu observava salivando nos filmes. Pedimos taças de pinot noir, foie gras com pão quentinho fatiado, sopa de cebola, rãs à provençal, profiteroles e, para finalizar, um café seguido de um cigarro – coisa que não fazia há anos. Foi uma noite fria, mas na qual me senti tão viva como aquela jovem moça dos anos 1970. Gastamos neste jantar R$ 200 o casal. Agora, o nome do homem gentil que me acompanhou e me fez sorrir o jantar inteiro fica como mistério para a próxima edição.

 

La Tartine

R. Fernando de Albuquerque, 267, Consolação, tel. 3259-2090

Lourdes de Sá tem 74 anos, é funcionária pública aposentada e avó de três jovens. Gosta de sair e se intitula uma “notívaga compulsiva”. E-mail:

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