A soprano Angelica de La Riva traz em sua música uma bagagem cultural e pessoal intensa

Angelica de La Riva representa a diversidade cultural na música clássica. A soprano brasileiro-cubana vive em Nova York há quinze anos, reúne em sua música as principais referências da América Latina e da Europa e já passou por palcos do mundo todo.

Depois de se apresentar na abertura das Olimpíadas do Rio em 2016, Angelica retorna ao Brasil este ano para a oitava edição do festival Música em Trancoso, que acontece de 23 a 30 de março na cidade baiana. “O maior desafio da profissão é voltar e cantar em casa, com certeza. No palco e na plateia há amigos e professores, pessoas próximas e que admiro tanto. Isso me traz uma ansiedade boa e diferente”, confessa.

Sua trajetória inclui apresentações na China, com a Orquestra Sinfônica de Shenzhen, e com a Orquestra Filarmônica de Praga. Angelica também se apresentou no prestigiado Lincoln Center e tornou-se a primeira soprano brasileira a cantar no David Geffen Hall, a casa da Orquestra Filarmônica de Nova York. Depois dessa experiência toda já mistura o inglês, o espanhol e o português em sua fala, mas expressa muito bem o poder de sua música. “Vejo nessas oportunidades a chance de levar a música clássica e a cultura brasileira e cubana para o mundo”.

Filha de pai cubano e mãe brasileira, ela teve a música na sua vida desde cedo. “Meu pai colocava Villa-Lobos, Verdi e Puccini em casa para ouvirmos. Seria estranho, na verdade, se não seguíssemos carreira nessa área”. Aos 14 anos, Angelica começou a fazer aulas de canto e, mais tarde, conseguiu uma bolsa para estudar na Juilliard School, uma das mais prestigiadas escolas de música e artes cênicas do mundo.

Nessa família de muitos talentos – sua irmã, Marina, também é cantora –, Angelica foi incentivada a praticar esportes. Com o remo, chegou a disputar uma vaga olímpica. Afastada das raias há alguns anos, ela garante que os treinos não foram em vão e se beneficia hoje da disciplina conquistada. “Nada é mais parecido com um atleta do que um músico. A dedicação e a busca pela perfeição são as mesmas.”

Casada com o empresário espanhol Marcos de Quino, a soprano também compartilha a realização de seu maior sonho. “Estou grávida da minha primeira filha, tudo isso é novo para mim e mais uma vez coloca o meu corpo como um instrumento”. Ela explica que a gestação até facilita o canto, porque o apoio para o diafragma é maior.

Em meio a tanta felicidade, os ensaios para o Música em Trancoso seguem firmes e Angelica já preparou sua sequência de músicas para o festival. “Vou começar com uma ópera zarzuela, popular e típica da Espanha. Em todas as minhas apresentações tento trazer esse intercâmbio cultural que vivo”, diz ela, lembrando as palavras de Villa-Lobos sobre a valorização da música: “O nosso país já tem uma forma geográfica de um coração, é um lugar que deve ter humanidade e harmonia sempre”.

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