Artista chinês Ai Weiwei ocupa Oca Ibirapuera do dia 20 de outubro a 20 de janeiro

Maior exposição já montada com obras do dissidente chinês e popstar reúne criações monumentais no Ibirapuera.

A CHINA É POP. Quem for à Oca do Ibirapuera até o dia 20 de janeiro terá a oportunidade de visitar uma exposição do maior artista contemporâneo do planeta. As criações do chinês Ai Weiwei têm um DNA chinês, mas abordam questões universais de nosso tempo e que valem para o mundo todo. Refugiados, ecologia, diversidade, patrulhamento, desigualdade, fé, massificação, vaidade – está tudo lá. Os quatro pavimentos da linda construção projetada por Oscar Niemeyer abrigam 70 trabalhos que tocam fundo em todos esses temas, de maneira aguda e, ao mesmo tempo, original e até mesmo bem-humorada. E os suportes e matérias-primas das obras são os mais variados: madeira, cerâmica da dinastia Han, peças de Lego, couro de boi…

“Raiz” é a maior retrospectiva já organizada com obras do artista, que nasceu em Pequim, mas hoje vive exilado em Berlim. Tudo impressiona: desde o tamanho das raízes que ele garimpou na região de Trancoso, no sul da Bahia, às 146 toneladas de vergalhões de ferro que compõem a instalação “Reto”, que denunciam o descaso do governo chinês com as crianças do país, mortas aos milhares em 2008 após um terremoto que derrubou escolas e prédios públicos construídos em Sichuan, com material de segunda qualidade por causa de verbas desviadas por políticos corruptos.

Muitos trabalhos já foram expostos em outras mostras no exterior (como o “mar” composto por 100 milhões de sementes de girassol, que esteve em cartaz na Tate Modern, de Londres, e o enorme emaranhado de bicicletas de “Forever Bicycles”, montada do lado de fora da Oca, nesta foto). Mas muitos foram concebidos especialmente para esta exposição brasileira – caso das cerâmicas de F.O.D.A. (uma Fruta do Conde, uma Ostra, um cacho de Dendê e um Abacaxi) e a série de 200 ex-votos de madeira talhados em Juazeiro do Norte (CE), a partir da iconografia do artista.

Para a concepção de todo esse conjunto, Ai Weiwei esteve aqui no Brasil cinco vezes nos últimos anos. O resultado é uma mostra fascinante, com curadoria de Marcello Dantas, um dos mais importantes do país.

“Raiz” custou aproximadamente R$ 10 milhões, mas não usou a Lei Rouanet – os recursos foram captados junto a galerias, experts e colecionadores de arte que se dispuseram a financiar a mostra e terão preferência caso queiram adquirir algum dos trabalhos futuramente.

Parte da verba virá também da venda de objetos com estampas de Weiwei (um guarda-chuva com a mão mostrando o dedo do meio custa R$ 300). No ano que vem, a mostra segue para o Rio de Janeiro e para Belo Horizonte.

Ai WeiWei Raiz

Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Ibirapuera, tel. 5082-1777. Ingressos a R$ 20.

155
VISUALIZAÇÕES