Grupo Amigos do Bem investe na canalização de água, na geração de trabalho e na educação de crianças e jovens no sertão nordestino

No início de 1993, comovida pela situação de miséria no Nordeste, Alcione Albanesi reuniu amigos e propôs uma mobilização para ajudar as pessoas da região. “Aquilo começou a me incomodar, por isso juntei os mais chegados, que chamaram outros, e sugeri que arrecadássemos alimentos, roupas e brinquedos para distribuir. Conseguimos levar 1.500 cestas”, lembra Alcione. Assim brotou um movimento exemplar, os Amigos do Bem, projeto que hoje conta com 9200 voluntários, que se revezam entre a sede, em São Paulo, e os 130 povoados do sertão de Alagoas, Pernambuco e Ceará, onde são atendidas 75 mil pessoas todos os meses.

Amigos do Bem

Alcione Albanesi compartilha momento histórico da chegada da água em Torrões, em Alagoas; antes, a população precisava andar quilômetros para conseguir água. Foto: Divulgação

Os Amigos do Bem atuam em diversas áreas para promover a inclusão social e romper o ciclo da miséria. Alcione estruturou um projeto belíssimo, que ela acompanha de perto, todos os meses. “É possível terceirizar construções de casas, abertura de estradas, instalação de saneamento. Mas quando você fala de transformação de vidas, você tem que realmente estar lá”, diz a fundadora.

As quatro Cidades do Bem, vilarejos com infraestrutura completa, acolhem famílias em casas de alvenaria confortáveis e dignas. Com a construção de 123 cisternas e 35 poços artesianos – com mais 6 em andamento –, não há mais necessidade de andar quilômetros em busca de água: mais de 700 milhões de litros são distribuídos por ano nessas regiões.

Quatro Centros de Transformação atendem 10 mil crianças e jovens em atividades educativas e culturais. Além do transporte, o projeto se responsabiliza pelo atendimento médico e odontológico e por 180 mil refeições mensais. Cursos de informática, culinária, cabeleireiro e manicure integram o programa, que também oferece bolsas em instituições de ensino superior. Outra frente do projeto é a autonomia financeira das famílias, com as fábricas de castanhas e de doces.

“O meu lema de vida assim descrevo”, diz a inspiradora Alcione: “Se não posso fazer tudo o que devo, devo, ao menos, fazer tudo o que posso!”

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