As melhores feijoadas de São Paulo

Feijoada do Bolinha

Convidativa, como na música de Chico Buarque, a feijoada é prato democrático, que combina com o frio do outono, com futebol e caipirinha.

O historiador Luís da Câmara Cascudo disse certa vez que a feijoada “é um prato em construção”. Nada mais exato para definir uma criação que é inexata na sua origem (até hoje controvertida) e na sua composição (ao longo do tempo, ela se modernizou, ficou mais light e ganhou novos acompanhamentos). O que há de certo é que este é o prato-símbolo da gastronomia brasileira. De Norte a Sul, não há quem não goste de saborear uma feijoada completa, de preferência com o arroz branquinho, couve manteiga feita na hora, laranja em pedaços, farofa, uma pimenta malagueta… E, claro, uma caipirinha, para esquentar ainda mais o clima dessa refeição, perfeita quando a temperatura baixa.

Quem nunca ouviu que a feijoada foi inventada pelos escravos, que teriam misturado restos do porco desprezados pelos senhores de engenho ao feijão e à farofa de todo dia? Segundo os pesquisadores, isso não passa de mito. “Nunca encontrei nenhuma referência histórica de que o prato nasceu na senzala. O que se sabe é que houve influência europeia na criação”, diz Vilson Caetano de Souza Junior, professor da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia. Ele lembra que, no início do século 18, a base da alimentação dos escravos era a farinha de mandioca e de milho. “Nesse período de penúria alimentar, o porco era reservado apenas aos doentes, assim como a galinha e os ovos. As vísceras eram valorizadas em pratos como tripa de boi frita, de origem portuguesa. Os restos do porco não eram rejeitados, porque eram considerados iguarias na mesa da população abastada”, afirma.

Só no século 19 é que o hábito de comer feijão se estabelece no país. Agrega-se então o toucinho no caldo para dar gosto e sal. A partir daí, acredita ele, pode ter nascido a feijoada, influenciada por pratos europeus que misturam carnes, legumes e verduras, caso do cozido português e do cassoulet francês.

A verdade é que a feijoada, como disse Câmara Cascudo, ainda está em ebulição. Novos arranjos vêm sendo adicionados ao desfile apetitoso de pertences e novos estilos de apresentação reinventam esse prato que é paixão nacional. A seguir, veja onde comer uma bela feijoada nessa época de ventos frios e muita torcida.

ONDE COMER

Dinho’s:

O restaurante serve uma feijoada de qualidade excepcional às quartas e sábados. Organizada em buffet, ela custa R$ 98 por pessoa. Já quem quiser saborear o prato em casa, pode pedir a versão para viagem (R$ 168), que serve até quatro pessoas.

Alameda Santos, 45, Cerqueira César, tel. 3016-5333.

Bolinha:

A feijoada desfila quase que diariamente pela casa. De terça a domingo o restaurante serve, entre 11h e 23h, tanto a versão completa quanto a “magra”. Preços entre R$ 99 (durante a semana) e R$ 125 (finais de semana).

Av. Cidade Jardim, 53, Jardim Europa, tel. 3061-2010.

La Tambouille:

O caldo de feijão é o “welcome”, servido em taças e acompanhado de mini linguiças ao vinagrete, no bar. Depois vem a seleção das carnes e os acompanhamentos, servidos em porcelanas finas e cumbucas de prata (foto acima). Mas o que importa é que a feijoada é muito bem feita e saborosa. Só aos sábados, por R$ 123.

Av. Nove de Julho, 5.925, tel. 3079-6276.

Rancho Português:

Com a chegada do frio, a casa serve a Feijoada à Transmontana, da região de Candedo (feijão branco com joelho de porco defumado, pé, rabo, orelha, costela, paio português, cenoura e chouriço) às quartas e sábados, no almoço, por

R$ 191 para duas pessoas. 


Avenida dos Bandeirantes, 1051, tel 2639-2077.

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