Bom de Copo: Os vinhos do Uruguai

Bodega Bouza, adega familiar em Montevidéu, no Uruguai

Eu comecei a falar bem dos vinhos do Uruguai há mais de uma década. Era voz solitária na época. Fui criticado. Hoje vejo com alegria jornalistas do mundo todo elogiando os vinhos deste país maravilhoso, de gente maravilhosa e de gastronomia maravilhosa.

Inclusive, colegas meus que me criticaram e ironizaram meus textos hoje rasgam elogios aos vinhos do Uruguai. Que bom, não estava nem louco nem errado… O Uruguai é conhecido pela tannat, a uva do Madiran, sudoeste francês onde até hoje se produzem ótimos rótulos com esta cepa.

Lá, o processo pede anos de garrafa para que o vinho amacie… Confesso que gosto dele mais rústico. Não há harmonização melhor para uma carne sangrando, acredite. Mas devo dizer que a grande vantagem do Uruguai é que a quase totalidade de seus produtores é formada por pequenas famílias, gente da melhor espécie, uma mistura de bascos franceses e italianos que tratam você como alguém do próprio clã. Isso não tem preço.

Para você ter uma ideia, certa vez, numa viagem por lá, um produtor ficou de me pegar no hotel para irmos à vinícola. Trata-se do Daniel Pisano, uma espécie de embaixador do Uruguai: efusivo, dinâmico e que produz vinhos espetaculares. Pois eu entro no carro e ele abre um embrulho mal feito de papel, e dentro tinha um pedaço de pizza! Deliciosa! E me disse: “Desculpe, Didú, minha mãe que fez e está tão gostosa que eu tinha que te trazer um pedaço…” Precisa dizer mais?

O Uruguai é isso. Cada família tem um bom vinho, nenhum é parecido com nenhum, pois eles têm muita personalidade e são muito teimosos, dando as costas para vizinhos e, inclusive, para o exterior. Fazem o que acham certo e de maneira praticamente artesanal. Aqui no Brasil as melhores importadoras têm algum produtor de lá.

Saúde!

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