Bon vivant: restaurantes como Frutaria São Paulo, no natural chic

Salada de grãos e castanhas do Bio

Bon vivant da minha faixa etária sempre teve um certo preconceito em relação à comida “natural”. E não é à toa.

Até poucos anos atrás o que a cidade oferecia de restaurantes naturais ou saudáveis era algo tão rústico que eles eram chamados de forma pejorativa de “naturebas”, e o público que frequentava estes lugares parecia ter saído de uma comunidade hippie. Sei que era um tipo de preconceito e também sei que tinha muito mais a ver com o estilo do que com a comida.

Hoje os cuidados com a alimentação são prioridade para todos e, se bobear, quanto mais jovem a pessoa for, mais preocupada ela é com essa questão.

A evolução desse estilo de vida saudável andou rápido. Os restaurantes também acompanharam e hoje São Paulo oferece muitas opções para quem não quer descuidar da saúde sem abrir mão do lado charmoso de comer fora. Aliás, o mundo  todo adotou esse estilo – basta ver o restaurante OTL, que é hit em Miami, cidade onde reina o culto ao corpo – e nessa onda predomina o público jovem, que inclui os jovens adultos.

Por aqui temos o Tea Connection, o Empório Frutaria, o Nattu Restaurante e o pioneiro, Frutaria São Paulo, priorizando a saúde sem deixar de lado aquela dose de serviços de qualidade e ambiente agradável. E vamos combinar que tem seu charme ver predominar águas de coco e sucos coloridos nas mesas, no lugar de taças de vinho e champanhe, além da atmosfera de bom humor.

Alguns ingredientes têm presença confirmada nas mesas, como o abacate, que quem não pede pelo sabor, pede pelo post – quem não ouviu falar do Avocado Toast? –, mas ainda assim os cardápios contam com uma variedade de cores e combinações dos mais diferentes vegetais e proteínas animais. Como o atum semi-cru com crosta de gergelim e spaghetti de pupunha, a salada de rúcula com brie e pistache, o havaiano poke e os dadinhos de tapioca e queijo coalho com geleia de pimenta, que vieram do Mocotó e agora estão presentes em mais de um desses cardápios.

Imagine um spaghetti de abobrinha ao molho de tomate caseiro com queijo chèvre e amêndoas laminadas. Estamos de acordo que faz a cabeça de qualquer gourmet?

Detalhe, estas são as siglas que acompanham a maioria dos descritivos dos pratos nesses lugares: SL (sem lactose), SG (sem glúten), VG (vegetariano). Que delícia comer sem culpa!

É isso. O que há poucos anos era tendência virou realidade. Até o premiado Alex Atala, junto aos sócios do Frutaria São Paulo, montou o Bio – Comer Saudável, no qual os pratos saem da grelha quase que só com ingredientes orgânicos.

Tomara que essa atitude passe a ser a de nós todos. Mesmo se, de vez em quando, ainda formos a um bistrô. Até!

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