Atual campeã mundial de esgrima, Nathalie Moellhausen também é vencedora na arte

Nathalie Moellhausen

Nathalie se tornou a primeira brasileira a ganhar o mundial de esgrima. Foto: Martin Traynor

O português é fluente, já o sotaque é italiano misturado com francês. A esgrimista ítalo-brasileira Nathalie Moellhausen, de 33 anos, é uma cidadã do mundo: nasceu em Milão, na Itália, é filha de uma brasileira e um alemão, e mora em Paris, onde estudou filosofia na Sorbonne. Essa diversidade toda fez com que ela buscasse a sua própria identidade.

“Aprendi com o meu pai que a adaptação é uma qualidade, sempre procurei os lugares que me fizessem abrir a mente”. Este ano, a atleta conquistou o primeiro ouro do Brasil na história do Mundial de Esgrima, em julho, na Hungria, e ganhou o bronze nos jogos Pan-Americanos, em Lima, no Peru.

Na Itália, a esgrima é um esporte comum, as escolas costumam oferecer a prática para os alunos desde cedo. Foi assim que Nathalie começou a treinar, aos cinco anos de idade. “Meus pais viam as competições na TV e sempre me estimularam”, conta. O universo da esgrima é bastante amplo, além do esporte em si, as equipes pensam na cenografia e no figurino das competições.

A esgrimista estendeu seu interesse para a direção de arte e, em 2010, elaborou a apresentação e a coreografia para a abertura do campeonato mundial de esgrima, em Paris. Ela também atuou como diretora de arte da festa que celebrou o centenário da Federação Internacional de Esgrima, em 2013.

 

A relação da atleta com o Brasil vem da família materna e, hoje, é estimulada pela esgrima. Nathalie competiu pela Itália durante alguns anos, mas percebeu que poderia ter mais espaço representando o nosso país. “Acredito que posso passar um pouco do conhecimento que tive e, com os meus resultados, dar um gás no esporte entre os brasileiros”. A esgrimista vê potencial no Brasil, mesmo diante de lugares com grande tradição na prática, como a Itália.

“É um esporte muito difícil que exige imersão e disposição total. Deixei outros projetos de lado para chegar até aqui”, confessa. Depois de 25 anos praticando esgrima, dentre os quais quatorze absolutamente focada nas competições, veio o ouro no Mundial, uma conquista sonhada e merecida. O próximo desafio está em Tóquio, com os Jogos Olímpicos, em julho de 2020. Nathalie pretende fechar com chave de ouro esse evento, já que planeja deixar a carreira em 2021. “Sei que a profissão de atleta dura pouco, por isso penso em voltar às artes quando a temporada no Japão terminar”. Mundo artístico esse que não deixará, certamente, a esgrima de fora.

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