CEO da AccorHotels na América do Sul, Patrick Mendes aposta na diversidade e na sustentabilidade para manter a liderança

Antonietta Varlese, vice-presidente de comunicação da Accor, a drag queen Tchaka, e Patrick Mendes, em evento que comemorou um ano do comitê LGBT+ do grupo

Há alguns anos o departamento de RH da rede Accor tem usado um novo termo no seu dia a dia: casting. Jargão no meio artístico e cinematográfico, que define a seleção de elenco para um filme ou espetáculo, a palavra designa bem a atual fase dessa rede hoteleira francesa de cinquenta anos, há quarenta no Brasil.

“Hoje buscamos contratar pessoas de diferentes gêneros, etnias, estilos, idades e perfis, que representem vários tipos de públicos”, diz o francês Patrick Mendes, CEO da rede na América do Sul. Barmen tatuados, garçons-atores, atendentes com as mãos cheias de anéis – gente que foge do padrão usual do setor – estão em hotéis como o Pullmann, no bairro paulistano da Vila Olimpia.

Na luta para combater a LGBTfobia, o executivo diz promover a inclusão de todos os representantes da sociedade em seu grupo de mais de 22 mil colaboradores na América do Sul, entre eles profissionais transgêneros.

“Queremos que todos sejam muito bem-vindos”, afirma o CEO. Dentro desse mesmo espírito, um dos programas principais da AccorHotels é o Heartartist, em que os funcionários são treinados para oferecer experiências personalizadas aos clientes. O nome junta dois valores importantes para a rede: o coração e a arte. “Receber com carinho e autenticidade”.

Com isso, tem havido uma uma grande procura de jovens para trabalhar nos hotéis da rede. “Gente que não pensava em atuar na hotelaria vem dizendo que a Accor é diferente”. Os resultados, após essa mudança de paradigmas, são animadores. Rede líder no Brasil, com 310 hotéis, a Accor bateu seu recorde de abertura de unidades em 2018, com 52 novos hotéis – sua média no país é trinta por ano.

Além do investimento em uma hotelaria mais disruptiva e moderna, há um esforço do grupo em acelerar o desenvolvimento pela aquisição de grupos hoteleiros. “Nós adquirimos recentemente os grupos Posadas, BHG e Atton, e temos lançado novas marcas, como a Tribe, para quem quer pagar cerca de R$ 300 por um quarto, mas busca design e boa gastronomia”. O público-alvo deste nicho é o “urban traveller” da geração millenial, que busca tarifas mais baratas.

Outro perfil de cliente é o desejoso de experiências de luxo, exclusivas. Nesse rol incluem-se marcas como Mondrian, Delano, The Redbury, Morgans Originals e SLS, recém-adquiridas pela rede.

Há sete anos no Brasil, Patrick se diz “cada vez mais brasileiro”. Entusiasmado com o país, com o crescimento da rede e com os times daqui, ele vem criando novidades em sua gestão para motivar os colaboradores. Um exemplo é o programa Feel Welcome, em que ele recebe mensalmente, para um café da manhã, vinte recém-contratados, de todos os níveis e áreas.

A busca por um ambiente de trabalho agradável e por uma boa performance envolve principalmente a gerência geral dos hotéis – na qual 52% dos líderes são mulheres. “Nós temos uma maneira de medir a eficiência dos nossos gerentes com as pesquisas de satisfação dos hóspedes. Se as notas forem abaixo de 82%, o gerente pode ser impactado em sua remuneração, e aí nós o acompanhamos com treinamento na academia Accor”.

Outro pilar do grupo é a sustentabilidade. O programa Planet 21 visa reduzir o consumo de energia, aumentar o plantio de árvores e zerar o desperdício de alimentos. Sobras dos restaurantes viram adubo orgânico, hoje há mais de cem hortas orgânicas nos hotéis, e um projeto na Serra da Canastra já plantou 400 mil árvores desde 2009.

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