Como observar 464 espécies de aves em SP

Falcão-peregrino clicado por Julio Cardoso na sacada de seu apartamento

Região do Largo da Batata, manhã, dia chuvoso em São Paulo. Na varanda de um edifício residencial, um diálogo acontece: “Seu Julio, tem um bicho grande parado aqui na sacada, parece uma espécie de coruja esquisita”. Julio Cardoso, observador de aves de longa data, ao inspecionar a varanda de seu apartamento, se impressiona e corre para buscar a câmera fotográfica.

Ele quer registrar este momento inesquecível: a visita de um Falcão-peregrino (Falco peregrinus tundrius), ave migratória provavelmente vinda da Groenlândia, que cruzou a América do Norte, a América Central e que agora está ali, próximo à Avenida Faria Lima, bem em frente a sua sala-de-estar.

Esta cena resume um dos temas centrais do AvistarBrasil deste ano: a observação de aves nas cidades grandes. O encontro de “birders” é organizado de forma horizontal desde 2016 e neste ano conta com a colaboração de mais de 137 pessoas, que contribuem oferecendo oficinas de ilustração, de ciência aberta e palestras, criando posters, promovendo exposições fotográficas e outras atividades, como passeios locais para observar aves – as chamadas passarinhadas.

A edição deste ano acontecerá na Raia Olímpica da Universidade de São Paulo (USP), entre os dias 17 e 19 de maio. Um dos palestrantes convidados, o britânico David Lindo, expert do portal TheUrbanBirder.com, defende: “O Avistar tem se mostrado um evento muito importante, pois faz com que os paulistanos percebam que a biodiversidade da cidade é parte de uma rede muito maior e admirada por pessoas do mundo todo”.

Há quem pense que São Paulo, “a selva de pedra”, só abrigue urubus, pombas, periquitos verdes barulhentos, pardais e sabiás-laranjeira que acordam a cidade toda cantando desde às 4h da madrugada. No entanto, a cidade é, na verdade, uma grande floresta urbana que abriga cerca de 464 espécies diferentes de aves.

Filhote de gavião-asa-de-telha se divertindo na Praça da República. Foto clicada por Fábio Olmos

Uma família de gaviões-asa-de-telha reside na Praça da República, patos mergulhões-grandes podem ser vistos no entorno da Represa de Guarapiranga, assim como tucanos serão avistados no Ibirapuera no início do dia. “A mídia brasileira pode auxiliar na disseminação dessa prática tão comum em outros países contando histórias de vida, mostrando como praticar birding faz bem para a saúde mental, como é um tipo de meditação”, explica Lindo.

Guto Carvalho, um dos organizadores do encontro, completa: “Observar aves urbanas é uma prática que está atrelada à concepção de Saúde Integrativa – este conceito defende que a saúde das pessoas, do meio ambiente e dos animais à volta está conectada, formando um tripé em que uma pode otimizar a outra”.

Para observar as 464 espécies de aves que vivem livres e contentes pelas áreas verdes da capital paulista e absorver a liberdade e tranquilidade que vem delas, basta querer encontrá-las. E, nesse sentido, o AvistarBrasil é um ótimo primeiro passo.

www.avistarbrasil.com.br

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