Deborah Colker estreia na direção do seu primeiro musical em São Paulo

O musical “O Frenético Dancin’ Days” no Teatro Opus

Inquietação, dinamismo e obstinação são algumas das características principais de Deborah Colker. A carioca, que ingressou no mundo da dança contemporânea como bailarina na década de 1980, tem uma trajetória profissional marcada por trabalhos de altíssimo nível técnico e uma capacidade admirável de se reinventar.

Para além disso, alguns de seus méritos são ser a primeira brasileira a ganhar o prêmio Laurence Olivier (conhecido como o “Oscar” das artes cênicas), a primeira mulher a dirigir um espetáculo do Cirque du Soleil, a diretora de movimento nas Olimpíadas de 2016 no Rio e a autora do único espetáculo de dança da Copa de 2006, na Alemanha.

“O que me move é evoluir. Experimentar caminhos novos e sempre buscar dizer algo que faz parte profundamente de mim”, comenta a artista que, agora, irá se aventurar na direção de seu primeiro musical, “O Frenético Dancin’ Days”. Escrita por Nelson Motta e Patrícia Andrade, a peça estreia em São Paulo no dia 15 de março, no Teatro Opus, e conta a história da famosa casa de shows que abalou a noite carioca, marcando a chegada da discoteca no país. Confira alguns trechos da entrevista com a diretora da peça:

Como você apresentaria o seu mais novo espetáculo, “O Frenético Dancing Days”?

Um oásis de liberdade, onde as pessoas podem ser o que são; a individualidade e as misturas são bem-vindas. “O Frenético Dancin Days” é uma lenda em que mesmo quem nunca foi sonha que esteve lá. Esse espetáculo conta a história de cinco pessoas incríveis que se encontraram: uma visionária e libertária mulher, um ator/ produtor, um discotecário que fazia todos pularem que nem pipoca, um comunista que sonhava com um Brasil justo e um jornalista que unia toda essa turma.Tanta diversidade nessas pessoas: gay, mulher, negro, comunista… Esse espetáculo é uma homenagem a eles e à arte de se divertir.

Deborah Colker é a coreógrafa brasileira mais aclamada pela crítica internacional

O que o movimento e o espaço significam para você?

O movimento é como um texto, uma palavra, produz significados e sentimentos. A relação entre movimento e espaço é muito inspiradora. O espaço é o lugar e propõe desafios ao corpo e ao movimento. Temos os espaços verticais, diferentes planos, espaços em movimento. A cada novo espaço, caminhos novos para o corpo.

Por mais de 15 anos você manteve a escola de dança Centro de Movimento Deborah Colker, que recentemente abriu a sua segunda unidade no Rio de Janeiro. Como a dança pode contribuir no desenvolvimento e na formação de crianças e adultos?

A dança ensina a criança e o adulto a conhecer seu próprio corpo. Através da dança eles podem curar e desenvolver várias questões de cada um. A educação artística é fundamental, pois com ela se adquire coordenação, ritmo, disciplina, musicalidade, concentração, criatividade – etapas fundamentais para a construção de uma pessoa.

Você tem uma carreira marcada por grandes conquistas. Como se sente ao ver que o trabalho da sua vida foi tão bem reconhecido?

Nessa trajetória sempre teve muita luta, muita obstinação e perseverança. Nem sempre meu trabalho foi aceito ou mesmo compreendido, mas esse desafio me fortalece a descobrir cada vez mais o que é fundamental. Acredito no trabalho, na pesquisa e na experimentação. Lembro quando desafiei a gravidade com a parede em “Velox”, em 1995, e me disseram que aquilo não era dança, e eu pensei: ok, pra mim é. Não existem rótulos na arte e, sim, inquietação

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