Economia circular é cada vez mais utilizada nas empresas

Bolsa da Bottletop: o luxo está nos detalhes

Assim como os frutos e sementes consumidos por animais se decompõem e se transformam em adubo para plantas, que crescem de novo e dão frutos que alimentam novas gerações de animais, no processo industrial é possível resgatar com inteligência ativos já existentes, trazendo-os para um novo uso e uma nova vida. Dessa forma, produtos podem ser recuperados, o que os traz de volta ao círculo virtuoso e sustentável da economia.

Na verdade, o modelo da antiga economia tradicional não cabe mais no século 21. O padrão que visa apenas “extrair, produzir e descartar” está em total descompasso com as demandas atuais, em que os recursos naturais vêm se esgotando e não há mais espaço para o lixo.

Do berço ao berço

A C&A lançou a primeira coleção de moda do mundo certificada pelo Cradle to Cradle Innovation Institute, uma organização sem fins lucrativos que educa e capacita os fabricantes para se tornarem uma força positiva para o meio ambiente. Em algodão orgânico, com tingimento livre de químicos nocivos, as peças são compostáveis e apresentam especificações que tornam sua reciclagem mais simples.

A Cradle to Cradle Certification™ conta com cinco níveis de certificação: básico, bronze, prata, ouro e platina. A certificação ouro, recebida pela C&A, exige comprometimento com produção livre de químicos tóxicos e prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, limites de emissões de CO2, uso de pelo menos 50% de energia renovável no processo de produção, reaproveitamento de água, design pensado para pós-consumo, compromisso com as pessoas envolvidas no processo de produção e outros padrões rigorosos para garantir uma produção mais limpa e menos impactante possível.

Luxo circular

Criada em 2002 pelo britânico Cameron Saul, a Bottletop nasceu como uma alternativa sustentável e criativa para os consumidores de luxo. A marca produz bolsas, mochilas, carteiras e outros acessórios a partir do reaproveitamento de lacres de latinhas (as “bottle tops”).

Tudo começou quando Cameron veio ao Brasil e se encantou com as técnicas de artesãos da Bahia. Ele teve a ideia de lançar uma linha de bolsas com as estruturas metálicas e começou a fazer os produtos na Bahia e em São Paulo. As peças conquistaram celebridades como as atrizes Emma Watson e Jessica Alba e a modelo Naomi Campbell.

A sustentabilidade da marca inclui o belo trabalho social da empresa nas comunidades com as quais trabalha no Brasil, no Malawi, em Moçambique, em Ruanda e no Reino Unido. “O luxo está nos detalhes”, diz Cameron, e ele está coberto de razão. No caso da Bottletop, essas “minúcias” agregam ainda mais porque são regenerativas, evidenciam a inteligência da economia circular.

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