Eduardo Srur usa a arte para conscientizar a sociedade

Os caiaques no Rio Pinheiros (2006)

Eduardo Srur é conhecido pelo questionamento dos problemas urbanos por meio de intervenções artísticas em espaços públicos. Dessa vez, após uma trajetória de dez anos utilizando a rua como plataforma, ele leva o discurso de volta a uma instituição formal, o Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC), com a instalação “Caos”, uma forte crítica à ditadura do carro.

Dois paredões de carrinhos de brinquedo foram construídos bem no pátio do museu, medindo 6,4 x 3,3 metros e edificados com quatro mil exemplares amontoados. A reflexão proposta é clara: o sufocamento causado pelo trânsito nas metrópoles. “Agora, em 11 de dezembro, a obra estará diferente. Vou desmontar as paredes e fazer um estacionamento gigante com os milhares de carrinhos, e o público vai poder levar embora. Vou doar esse trabalho”, ele avisa.

Srur chamou atenção em 2008 com as esculturas em forma de garrafas pet gigantes que colocou nas margens do Rio Tietê. Outra de suas obras famosas é a réplica de uma carruagem imperial alçada a 30 metros de altura na Ponte Estaiada da Marginal Pinheiros, em 2012. Naquele mesmo ano, ele construiu um labirinto enorme de resíduos sólidos no Parque Ibirapuera. Em 2013, ocupou o centro de São Paulo com “Farol”, uma instalação com milhares de ratos de borracha no Vale do Anhangabaú.

O “Pintado”, em 2017

Para ele, o meio ambiente, o consumismo e a mobilidade urbana são questões cotidianas que mexem com qualquer pessoa que esteja numa grande metrópole como São Paulo. “Como artista, comecei a trazer esses assuntos para gerar um balanço visual que provoca e faz refletir. Traz um pouco de humor, mas também tem uma questão política. É uma vontade de explicitar, de maneira diferente, estes erros urbanísticos”, ele diz. Srur gosta do trabalho que tem algo a dizer, aquele que gera uma reflexão na sociedade. “É importante buscar uma nova perspectiva da realidade sobre as questões contemporâneas. Como o Ai Wei Wei está fazendo na Oca, com “Raiz”, ele compara.

Em 2017, o seu “Pintado”, um peixe colorido, gigante e inflável, navegou sobre as águas poluídas do rio Pinheiros. À noite, o peixe ficava iluminado por energia solar ao lado da ciclovia do rio. “Se a sociedade é incapaz de cuidar do rio Pinheiros, o “Pintado” nos lembrará que a arte é um caminho possível. O artista não dá o peixe, ele ensina a pescar”, ecoa Eduardo.

Além de toda preocupação política, ele cuida para que suas obras não causem impactos.”Procuro evitar o resíduo. Quando não dá, sigo transformando. As garrafas pet, por exemplo, viraram mochilas escolares, os carrinhos serão compartilhados… sempre tenho um pensamento que chamo de resíduo zero pós-produção/exposição. Ou a transformação das obras em outras coisas”.

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