Espetáculo “Nossas Trilhas” propõe novo olhar sobre o Brasil

Da necessidade de se lançar um olhar sobre o Brasil e suas questões atuais nasceu “Nossas Trilhas”, um espetáculo teatral em capítulos que comenta os problemas do país de maneira bem-humorada e musical.

“Constatamos que o Brasil e o brasileiro precisam urgentemente compreender que as imagens que construímos e atribuímos a nós mesmos precisam ser destruídas. Sim, destruídas. Pensamos que ser o país do futebol é muito pouco; pensamos que ser o país da caipirinha é muito pouco; pensamos que ser o país do carnaval é muito pouco; pensamos que atribuir a nós mesmos a imagem de um povo pacífico é afirmar algo falso, mediante ao absurdo que vivemos; pensamos que o “jeitinho brasileiro” é um grande obstáculo que se antepõe ao nosso desenvolvimento; consideramos que o 7×1 de 2014 foi um dos eventos contemporâneos mais significativos vividos pelo país, e que poderíamos utilizá-lo como ilustração ou ponto de partida para falar de Brasil”, explica Caio Salay, ator e diretor.

Como em um livro, os capítulos da peça vão de Prólogo a Capítulo 6. No Prólogo, dois atores e dois músicos em cena criam uma ilustração histórica, desde o surgimento da língua portuguesa, até as últimas levas de imigrantes que o país recebeu.

O Capítulo 1 é um número musical no qual dois vendedores ambulantes se desdobram em rimas e ritmos – o rap e o funk – mostrando o cotidiano de milhares de pessoas que acordam de madrugada para sobreviverem do que vendem nos trens e metrôs da cidade. No Capítulo 2, o interrogatório de um E.T. fornece uma importante opinião externa. O Capítulo 3 retrata, de maneira performática, o trabalho de operários da construção civil montando o palco em que a atriz e cantora Nábia Villela interpretará a peça de Handel, “Lascia Ch’io Pianga”, executada enquanto um telão revela cenas de pessoas em situação de rua.

O Capítulo 4 retrata um vídeo que busca investigar, por meio da linguagem do YouTube, o Brasil em três marcos: 1822 (a independência do país e suas consequências), 1922 (a Semana de Arte Moderna e a necessidade de criarmos e compreendermos nossa identidade) e 2022, como o segundo centenário do país independente e a incógnita do futuro.  No Capítulo 5, quem canta é Diógenes, morador de um lixão acompanhado pela fiel presença de seus amados cães.

No capítulo final, uma embolada de repentistas que utilizam o famoso 7×1 como metáfora do que o povo brasileiro vive cotidianamente.  Gol a gol, de estrofe em estrofe, questões distintas vividas pelos cidadãos do país são reveladas: ditadura militar, a situação da educação no país, exploração de qualquer tipo de mão de obra, o descaso com questões ambientais, preconceitos de qualquer ordem, o jeitinho brasileiro, violência e abuso contra a mulher e muito mais. “O 7×1, quem toma é o brasileiro, o 7×1 está em todo lugar”, canta o refrão.

Com letras de Salay e arranjos de Pedro Macedo e Flavio Rubens, Nossas Trilhas funde influências musicais nacionais e internacionais, revisando diferentes universos e ritmos, como Noel Rosa e Handel, que ajudam a recriar de maneira bem humorada a situação de tantos brasileiros e brasileiras. O espetáculo ainda conta com a cuidadosa assistência de direção de Luciana Ramanzini, que assina também o design de luz.

No elenco, Caio, Diego Rodda, Pedro Macedo, Flávio Rubens e Villela – em participação especial, revelam e expõem a simplicidade do jogo teatral em meio a uma cenografia estrutural que sugere desenhos no espaço e faz uso de módulos móveis, articulando ideias e perguntando se é possível ter soluções concretas para nossos grandes problemas.

Nossas Trilhas

Temporada: de 02 Junho a 29 de Julho

Horários: Sábados às 21h30, Domingos às 19h

Local: Teatro Viradalata – Rua Apinajés, 1387 – Sumaré, São Paulo

Preços: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada)

Capacidade: 270 Lugares

Classificação: Livre

Duração: 80 min

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