Hora Livre: A rã.

À noite, quando o lago vira um espelho coachando estrelas, reina a rã.

Ela veste um casaquinho verde-escuro molhado, feito pelo mesmo costureiro do Peter Pan. (Por que só em Peter Pan a gente fala “Péter” e não “Píter”? Eis a questã).

Seus olhinhos são vermelhos-vivos, duas sementinhas de romã.

De repente, a rã salta e bashô no lago: tchibum, chuá, chuã! Na água, ela mostra todo o seu elã.

Enquanto a rã nada, do nada aparece um príncipe montado numa égua alazã.

Entre narcisos, o príncipe se debruça sobre o lago para beijar sua imagem, mas quem ele beija é a rã.

E tchan-tchan-tchan! Acontece a mágica: o príncipe vira um sapo.

Contam que nessa noite a festa durou até de manhã.

No outono, a água fica um pouco mais fria, mas viver é muito bom.

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