Hora Livre: Bidu

 

Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.

Obviamente, eu não estou pronto, porque quem me apareceu foi o Bidu.

Ele não é um mestre, mas uma espécie de guru.

O Bidu tem o dom da premonição, o talento da conversação e uma enorme queda para gozação.

Maneja a agulha da ironia com grande habilidade, preciso como um cirurgião e elegante como um alfaiate.

Diz gostar de mesas redondas, porque dessa forma ele está sempre na cabeceira. É adorado por cozinheiros, garçons e, principalmente, barmen.

De vez em quando, ele convoca alguns de seus discípulos para dividir sua luz e sabedoria.

E lá vamos nós, reverentes e humildes, assistir ao Bidu predicar sobre temas pessoais, nacionais ou internacionais.

Na nossa última reunião, ele nos apresentou a solução para o problema do tráfico de drogas.

Para o Bidu, a solução seria não apenas legalizar, mas estatizar a droga. Sua tese é simples: se o governo tomar conta, a coisa vai começar a desandar. Os morros seriam loteados entre os partidos: Morro do Tucano, Complexo dos Trabalhadores, e por aí vai.

A boca, transformada em boquinha de emprego de parentes e afilhados dos políticos, começaria a dar prejuízo. O dinheiro sumiria, faltariam os produtos. Moral da história: sem dinheiro e sem droga, negócio falido, problema resolvido.

Naquela noite o Bidu estava inspirado, mas eu não pude ficar até o final. Mas me contaram que, depois de resolver alguns dos problemas nacionais, ele apresentou a solução definitiva para a América Latina.

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