Hotel Botanique é o destino certo para quem busca tranquilidade

O Vale dos Mellos, visto de uma suíte do Botanique

O cenário é o coração da Mantiqueira, a 1500 m de altitude, na confluência de três municípios: Santo Antonio do Pinhal, São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão. Foi ali que, em 2007, a empresária Fernanda Ralston Semler começou a delinear o seu projeto de vida. Primeiro, decidiu criar um núcleo de desenvolvimento com a comunidade local e trouxe o método da Escola Lumiar, considerada uma das doze mais inovadoras do mundo pela Unesco. Abriu uma unidade pública e uma particular, acolhendo as crianças da região e atraindo também famílias com filhos pequenos de São Paulo e do Rio, que foram em busca de uma vida com mais sentido e menos pressão.

Com o tempo, as raízes de Fernanda e o marido, Ricardo, foram se fixando mais e mais. À frente da Fundação RalstonSemler, o casal começou a pensar em projetos de formação e emprego para a comunidade. A construção do Botanique Hotel & Spa veio depois. “Quisemos primeiro engajar as pessoas com a escola e o trabalho, para depois inaugurar o hotel, em 2012. Eu não queria ser um ET no entorno. Dessa forma, a gente criou um vínculo bacana com os moradores”, explica Fernanda. “Não temos turnover entre os funcionários. Todos moram na região e estão aqui desde o início”.

Com 80 mil m² de área construída – em meio a uma propriedade com três milhões de m² no Bairro dos Mellos –, o belíssimo Botanique é definido por Fernanda como exemplo do “pós-luxo”. “É um novo olhar para o luxo, que resgata a hospitalidade, a natureza, o silêncio, o conforto e a elegância singular, 100% brasileira”, ela diz.

São apenas 17 suítes e vilas que impressionam pelo tamanho (entre 100 e 300 m²) e o projeto de decoração, que expressa o laço do hotel com a realidade local. Só peças de designers nacionais, pedras mineiras nas paredes, madeira de demolição, livros de nossos autores nos quartos e uma trilha sonora com muita bossa nova e MPB. Protegidas pela vegetação, as vilas têm absoluta privacidade e um acolhimento delicioso, que pode fazer com que os hóspedes, em geral casais, não queiram sair dali.

Fachada do hotel com sua imensa horta

Ao redor do hotel, em vez de jardins projetados, vê-se uma instigante e imensa horta orgânica disposta em 450 caixas. Os legumes, hortaliças e verduras compõem algumas das criações do chef Gabriel Broide, à frente do restaurante Mina; as ervas também abastecem o spa, recheado de tratamentos relaxantes.

Mas quem curte movimento pode malhar na academia, andar a cavalo ou ainda pedalar pelo Vale dos Mellos, vilarejo que lembra muito a Toscana por suas cores e atrações. Uma delas é a gelateria Eisland, pertinho da cachoeira do Lageado. Em uma fazenda de gado Jersey que produz leite tipo A você saboreia incríveis gelatos italianos. Alguns metros adiante, a Casa da Mata cultiva shitakes; alguns passos depois, vale parar no Apiário Levi, no Sítio do Quintal, onde uma família produz um fantástico mel da montanha.

O Bairro dos Mellos tem muitos encantos, como os ateliês de móveis artesanais de André Marx e o de Morito Ebine, o sítio de orgânicos Harmonia, a fábrica de chocolates das Senhoritas – freiras de uma congregação local –, e o Empório dos Mellos, com seu cardápio de ótima comida caipira.

Todo esse astral de roça acolhedora, mas contemporânea, é uma opção para quem quer sair dos grandes centros. Depois de anos de estudo, com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, Fernanda Ralston lança agora o Habitat dos Mellos, uma comunidade planejada no Vale dos Mellos. “É como se fosse um vilarejo sustentável, com hortas comunitárias e muita natureza. Uma vida integrada ao entorno, sem muros e com um jeito mais harmonioso de conviver. Eu quero ficar velhinha aqui”, diz Fernanda, mãe de quatro filhos.

Empório dos Mellos

Além de moradia, o Habitat dos Mellos propõe facilitar a cocriação de espaços educacionais, artísticos, culturais, laboratórios de fabricação e centros tecnológicos de ponta. A população local, fortalecida por parcerias com organizações nacionais, internacionais e colaboradores externos, irá participar ativamente do processo de implementação.

Um modelo que passa longe da maior parte dos condomínios fechados, que excluem a coabitação com pessoas de outras classes sociais e não interagem com a comunidade. Esse conceito tende a beneficiar tanto o destino em si quanto o turismo, já que traz experiências com sustentabilidade, justiça social, riqueza cultural, autenticidade, harmonia – justamente alguns dos pilares do “pós-luxo”, que diz não ao exibicionismo, à ostentação e ao excesso. Um formato inspirador, como é esse lugar na Serra da Mantiqueira.

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