João Kepler, premiado investidor-anjo, revela o que o empreendedor deve fazer para decolar

João Kepler foi premiado como Melhor Investidor Anjo do Brasil pelo Startup Awards

Como conseguir investimento para um negócio? Aliás, o que esse negócio precisa ser, ter e fazer para atrair aportes de um investidor-anjo? Parceiro estratégico que irá impulsionar o negócio e muitas vezes auxiliar também na gestão do empreendimento, essa figura não é inalcançável. Ao contrário. Segundo a organização Anjos do Brasil, existem sete mil investidores-anjos no país dispostos a colocar pelo menos R$ 50 mil em novos negócios. São pessoas com potencial para investir em novos – e promissores – projetos e fazê-los decolar e crescer.

Um dos mais conhecidos é João Kepler, Lead Partner da Bossa Nova Investimentos, que participa de mais de 400 startups. Premiado como melhor Investidor Anjo do Brasil pelo Startup Awards, diretor da Fiesp, autor de vários livros e palestrante internacional, João só investe em empresas que tragam soluções pontuais para problemas específicos.

“É importante que o negócio tenha uma boa causa, seja essencial e escalável. E a inovação é um ponto básico. Hoje a empresa tem que caber no celular”, diz Kepler, que recentemente palestrou no CRA – Conselho Regional de Administração de São Paulo, para um auditório lotado de estudantes e candidatos a empreendedores.

Para Kepler, vivemos um momento muito especial e promissor. “Hoje está mais fácil empreender”. Só que o empreendedor
deve estar muito bem preparado, buscar oportunidades onde ninguém está vendo, encontrar os parceiros certos e estar 100% engajado e comprometido. “É a arte da persistência. Não há negócio que decole sem muita determinação”. O investidor-anjo frisa que é preciso novas competências para se manter no mercado atual: “Entender de tecnologia, gestão, finanças, mercado, comportamento. Hoje as habilidades e competências importam mais do que um diploma”.

Seu foco, na Bossa Nova Investimentos, são os negócios de tecnologia e internet em estágio pré-seed (investimentos iniciais, entre R$ 100 mil e R$ 800 mil) que sejam B2B ou B2B2C. “Não investimos em negócios que tenham como principal cliente o governo, lojas de e-commerce, games ou hardware e que concorram diretamente com as startups que já estão no nosso portfólio”, esclarece.

Segundo Kepler, a ideia deve ser apresentada ao investidor-anjo quando estiver pelo menos em estágio de validação ou pronta para se manter e crescer. “Mas não é somente dinheiro que conta nesta relação. Hoje a grande mudança é social, de pessoas para pessoas. Trata-se de um pacto de confiança que envolve muitas premissas”.

O investidor ressalta também a importância do mentor. “Ele pode colaborar com a experiência, a rede de contatos e as conexões com o mercado. O mentor, que pode ter afinidade ou interesse no segmento do seu negócio, vem antes do investidor-anjo e é o orientador necessário para os ajustes no início”.

 As questões básicas que o investidor irá fazer para o empreendedor

1. Qual é a oportunidade?

2. Qual é o problema que o seu projeto irá resolver?

3. Qual é a inovação? Quais são as diferenças em relação ao que já existe?

4. Qual é a solução? Como o seu negócio irá atender a esta necessidade?

5. Qual é o mercado? Qual é o perfil dos clientes?

6. Quais são os recursos? Quanto precisa de dinheiro, em quanto tempo e para quê?

7. Além de dinheiro, do que mais precisará?

8. Qual a receita estimada? Qual, como, em quanto tempo e de onde vem o ganho e a monetização?

9. Quem são os players de mercado? Quem são os principais concorrentes diretos e indiretos?

10. Quais as hipóteses testadas? Quais as barreiras de entrada?

11. Qual o estágio do projeto? Inicial, protótipo, pronto, faturando?

12. Qual é o time?

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