Klester Cavalcanti estreia nas telas com “O Nome da Morte”

André Mattos e Marco Pigossi em cena do filme “O Nome da Morte”

Durante sete anos, entre 1999 e 2006, o jornalista recifense Klester Cavalcanti mergulhou no sombrio mundo do assassino de aluguel Júlio Santana. O primeiro contato aconteceu quando ele fazia uma reportagem sobre trabalho escravo na Amazônia. Ao conhecer a realidade dos matadores profissionais, Klester começou a esquadrinhar a história de Júlio, nascido no Maranhão, que durante 35 anos fez 492 vítimas, a maior parte catalogada em um caderno visto pelo repórter.

A partir desse setênio de entrevistas, busca de fontes e acesso a inquéritos e processos judiciais, ele edificou uma obra única e perturbadora, até porque ela é assustadoramente real. Uma história que expõe a violência e a impunidade que ainda imperam e se banalizam no Brasil. Júlio, que se diz ‘aposentado’ desde 2006, só ficou preso por um dia, e seus mandantes também estão soltos.

Lançado em 2006 pela editora Planeta (e relançado agora), “O Nome da Morte”, prêmio Jabuti, caiu nas mãos do diretor Henrique Goldman, que se encantou com o livro e adaptou, ao lado de George Moura, a história para o cinema. O longa acaba de estrear e tem Marco Pigossi (na pele de Júlio), Fabiula Nascimento, André Mattos, Matheus Nachtergaele e Martha Nowill no elenco.

“O filme tem o drama humano do matador, um menino religioso e de família que virou pistoleiro por causa do tio, mas é também um filme de ação com um elenco muito bom”, diz Klester, autor de cinco livros, três premiados com o Jabuti.

“Direto da Selva” fala sobre a Amazônia, “Viúvas da Terra” trata da violência agrária, “Dias de Inferno na Síria” relata o período em que ele foi preso e torturado, ao cobrir a guerra pela revista IstoÉ, e “A Dama da Liberdade” conta a história de Marinalva Dantas, a auditora fiscal que libertou 2.354 trabalhadores escravos no Brasil em pleno século 21.

Repórter incansável, com passagens por grandes jornais e revistas, Klester está feliz. “O Nome da Morte” já foi traduzido para onze idiomas e recebeu elogios da mídia francesa e de brasileiros notáveis.

Recentemente, a Paris Filmes comprou os direitos de adaptação de “A Dama da Liberdade” e um outro livro dele também está encaminhado para uma grande produtora.

Cinéfilo desde a infância, Klester está agora entrando no cinema como roteirista e produtor associado, independentemente de seus livros. Seu próximo projeto fala da violência contra a mulher e é também baseado em uma história real. “Quero contar no cinema histórias verdadeiras, amo o jornalismo literário”, diz Klester, 49 anos. “Tem muita denúncia envolvida e tudo tem que ser muitíssimo bem apurado.”

O que dizem:

“Klester coloca o leitor dentro da cabeça de quem o bom senso nos diz que deveríamos considerar um monstro: um matador de aluguel.” Fernando Meirelles, diretor e cineasta

“Neste livro, Klester nos mostra que a realidade pode produzir personagens bem mais complexos que os da mais atrevida ficção.” Braulio Mantovani, roteirista de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”

“Em ‘O Nome da Morte’, Klester nos apresenta um relato chocante e surpreendentemente real.” Wagner Moura

“Os protagonistas de ‘O Nome da Morte’ parecem ter saído de um romance de Dostoievski.” Jornal Le Figaro

“Uma reportagem que parece um monstruoso romance, ‘O Nome da Morte’ está entre Voltaire e Luc Besson.” Canal+

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