Luedji Luna se destaca na música popular brasileira, com influências do jazz, soul e reggae

Luedji foi uma rainha africana da etnia Lunda, no século 17. O nome significa rio, lua e amizade. Nomes de origem africana não são comuns em São Paulo, mas em Salvador, cidade natal da cantora Luedji Luna, eles são.

A narrativa histórica dos negros é extremamente viva por lá. O pai historiador ficou atento para nomear a filha com sentido e representatividade. “Devo ter ficado uns dias sem nome até ele escolher”, ri. E essa é a essência de Luedji, que atravessa a sua música. Neste mês, a cantora e compositora está em turnê internacional com o seu primeiro álbum, “Um Corpo no Mundo”.

Quando Luedji chegou em São Paulo, aos 25 anos, foi impactada pelo ritmo apressado e com a falta de espaço para se expressar. “Foi desse encontro com um lugar diferente que veio a inspiração para o álbum”. Começou a cantar ainda em Salvador, mas decidiu se mudar para investir profissionalmente na música. “São canções sobre a minha diáspora, a busca pelo meu lugar no mundo”.

As referências musicais de Luedji Luna são grandes nomes nacionais e internacionais, todos negros, presentes em diferentes estilos. O soul music e as letras de Lauryn Hill, por exemplo. “Ela fez um verdadeiro tratado sobre os afetos, eu a admiro muito”. Há ainda o jazz de Nina Simone e dois pilares da MPB, Djavan e Milton Nascimento, na sua bagagem.

Pronta para encontrar novos lugares, em julho, Luedji leva sua música para a Europa, começando no Amsterdam Roots Festival, no dia 4 de julho. Em seguida, ela embarca para Berlim para se apresentar no Haus der Kulturen der Welt (HKW) que acontece no dia 5 de julho e terá em seu palco uma de suas referências, Milton Nascimento, apresentando Clube da Esquina. Seguindo a turnê, a cantora leva seu “Um Corpo no Mundo” para Portugal, com shows em Lisboa (11/7); Porto (13/7); Madeira (17/7) e Sines (19/7).

“A música é a forma que encontrei para poder falar, reverter o lugar que o mundo determinou para mim”, define a cantora. Luedji Luna diz ainda que já se encontrou em São Paulo, agora a sua casa. “Gosto do centro da cidade e tenho me encantado cada vez mais pela Lapa, meu bairro, lá tem cara de casa, com feira na rua e vizinhos no portão”.

1964
VISUALIZAÇÕES