Rodeada pela floresta amazônica e um mar de água doce, Manaus é o ponto de partida para aventuras selvagens

o teatro é o principal cartão postal de Manaus

O Teatro Amazonas é um dos mais importantes do Brasil

Manaus é a mais populosa cidade da Região Norte, ainda mantém vários resquícios de seu esplendor, durante o Ciclo da Borracha, é o maior centro de comércio de arte indígena do país e possui ainda várias outras atrações. Mas uma viagem à capital do Amazonas só se torna inesquecível quando inclui passeios pela majestosa selva e pelos rios que parecem braços do mar, de tão largos e caudalosos. Manaus é a porta de entrada para esse ecossistema único, misterioso e cercado de lendas. Uma dessas lendas, a propósito, explica a origem do nome da região.

Muita gente – compreensivelmente – não entende por que uma floresta na América do Sul tem um nome que remete à Grécia Antiga. É que, no século XVI, quando o explorador espanhol Francisco Orellana comandou uma expedição pela selva, teve seus homens atacados pelas guerreiras da tribo indígena icamiaba, em que as mulheres lutavam nuas e viviam em grupos isolados, sem homens. Em seu relato à coroa espanhola, ele descreveu o território como “Selva das Amazonas”, em uma referência às heroínas da mitologia grega. O nome pegou e a região tornou-se mundialmente conhecida como Amazônia.

A propósito, a partir de Manaus, é possível visitar tribos indígenas e conhecer seu modo de vida. Na Aldeia Dessana, do Núcleo Indígena Cipiá, dá para comprar colares e cocares feitos com penas e sementes pelos índios e assistir a uma apresentação de danças ritualísticas sob a gostosa sombra de uma taba bem organizadinha. Ao final, oferecem carne de peixe e de jacaré assada no moquém (espécie de grelha) e formigas defumadas, que têm um sabor que lembra o de bacon crocante.

Essa tribo fica às margens do Rio Negro que, não bastasse ser um dos mais bonitos da região, é um dos raros cursos d’água livres de mosquitos. A mesma seiva de árvores que deixa as suas águas escuras também acaba impedindo a proliferação de larvas de insetos como pernilongos, muriçocas e carapanãs.

Hotel Rio Negro Queen é um hotel flutuante de luxo

É pelas águas do Rio Negro que desliza o imponente Rio Negro Queen, hotel flutuante com três decks que é praticamente desconhecido entre os brasileiros, mas anualmente hospeda centenas de estrangeiros em suas trinta suítes panorâmicas e em seu restaurante comandado pelo conceituado chef francês Roland Villard.

Concebido para oferecer pacotes desenvolvidos sob medida, de acordo com as preferências de cada passageiro, o Rio Negro Queen é uma experiência exclusiva, acessível para poucos: um tour a bordo do barco-hotel com uma semana de duração custa cerca de US$ 10.000.

Com um escritório de vendas nos Estados Unidos, o hotel tem 70% de norte-americanos entre seus hóspedes e promove expedições mais voltadas aos fanáticos por pesca esportiva. Para saber mais sobre os roteiros do hotel flutuante, acesse www.captpeacock.com.

Subindo pelo Rio Negro, chega-se ao Parque Nacional de Anavilhanas, um arquipélago fluvial com 400 ilhas e paisagens de tirar o fôlego. É lá que fica um dos mais fabulosos hotéis de selva do planeta, o Anavilhanas Jungle Lodge, que abriga seus hóspedes em bangalôs no meio da selva e promove passeios de canoa pelos igarapés e igapós, incursões pela selva para visualizar aves, macacos e antas, e visitas a um rio habitado por brincalhões botos cor-de-rosa.

Mais próximo de Manaus, o Juma Amazon Lodge é outra excelente opção para quem quer se hospedar no meio da floresta. Ele oferece grandes emoções desde o percurso que vai da cidade até a sua localização, às margens do Rio Juma. Para chegar lá, o barco tem de passar pelo famoso Encontro das Águas, um impressionante espetáculo da natureza formado pelas águas escuras do Rio Negro, que seguem paralelamente ao leito barrento do Rio Solimões até que finalmente se misturam quilômetros adiante, para enfim formar o Rio Amazonas.

O Juma Amazon Lodge tem apenas 19 confortáveis bangalôs totalmente integrados com a floresta e erguidos sobre palafitas, o mesmo método usado pela população ribeirinha da Amazônia para construir suas casas. Além de explorar a biodiversidade sem igual da região, no Juma os hóspedes podem também se esbaldar com a observação de astros no céu estrelado, que é vasculhado com a ajuda de um potente telescópio.

Hotel Juma Amazon Lodge, no meio da floresta amazônica

Entre os passeios oferecidos pelo hotel estão a caminhada noturna pela selva, quando os animais emitem mais sons e a luminosidade mínima cria uma atmosfera instigante, a visita a árvores gigantescas e centenárias, e uma parada no Flutuante do Pirarucu, onde é possível ver de perto, dar comida e depois experimentar um prato feito à base deste que é um dos maiores e mais saborosos peixes da rica fauna amazônica: o pré-histórico pirarucu, que pode chegar a 200 kg e três metros de comprimento!

Agora, se você não pretende fazer uma imersão no esquema 24h por dia na selva, acomode-se na cidade mesmo. As boas opções não são muitas, mas temos duas ótimas sugestões: o Villa Amazônia, hotel design que tem apenas 30 quartos e mistura com muito bom gosto a arquitetura do início do século XX com um décor contemporâneo, e o Juma Ópera, um hotel boutique sustentável instalado dentro de um casarão tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Ele deve abrir suas portas ainda neste segundo semestre, com uma bonita piscina em seu rooftop.

Instalado na cidade, fica mais prático visitar o Musa – Museu da Amazônia (parque ecológico com aquário, viveiro de serpentes e jardim botânico com orquídeas e bromélias), o Teatro Amazonas (construção de 1882 que sedia o festival de ópera), o Mercado Municipal (onde os pescadores da região exibem e vendem peixes das mais variadas espécies) e os melhores restaurantes da cidade, como o refinado Banzeiro, o imponente Caxiri e o japonês Shin Suzuran, onde o simpático Hiroya Takano prepara deliciosos usuzukuris de vitória régia.

Por fim, fique esperto ao programar a sua viagem: de março a agosto, o nível dos rios sobe com as chuvas e configura-se o período da cheia, ideal para apreciar as regiões alagadas da floresta. Já nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, durante a “estiagem”, os rios minguam e a paisagem fica bem menos atraente. De todo modo, visite a Amazônia o quanto antes. Ela está seriamente ameaçada pela ausência de políticas ambientais claras e efetivas e é patrimônio inestimável que precisa ser preservado. O turismo é uma das formas de exploração que traz mais benefícios às comunidades locais, causando menos danos à natureza. Dê a sua colaboração e entre nessa corrente do bem em que todos os envolvidos saem ganhando!

Restaurante manauara inaugura filial no Itaim

Formiga Sauva com espuma de mandioquinha, do Banzeiro

Comandado por Schaedler, vencedor de vários prêmios de melhor restaurante e de chef do ano em Manaus segundo a edição “Comer e Beber” da “Veja”, o Banzeiro, inaugurado em São Paulo no final de agosto, traz para a capital paulista todo seu borogodó amazônico.

No salão decorado por bonitas fotos clicadas pelo bilionário e fotógrafo nas (muitas) horas vagas Sergio Coimbra, o chef serve receitas que não se limitam ao “trivial amazonense”. O cardápio tem como base os peixes da Amazônia, mas eles aparecem em versões contemporâneas. As costelinhas de tambaqui, por exemplo, vêm envoltas em um rico molho teriyaki, e o pirarucu surge curado no missô, ganhando novas camadas de sabor, com toques agridoces e ricas em umami. Além disso, tem risoto de cogumelos yanomami, queijo coalho grelhado e servido com redução de guaraná e, para quem busca algo mais ousado, a dica é a saúva servida sobre espuma de mandioquinha ou a salada de vitória-régia com sagu de açaí.

“A ideia é que o Banzeiro seja uma ponte de ligação entre o centro e o norte do Brasil. As pessoas precisam conhecer a Amazônia e acredito que a gastronomia tem grande potencial para despertar essa curiosidade”, explica o chef, que apoia pequenos produtores de frutas, brotos, cogumelos e pimentas dos arredores de Manaus, além de só adquirir peixes de fornecedores que respeitam os ciclos reprodutivos das espécies que brilham em seus menus.

Banzeiro SP

Rua Tabapuã, 830, Itaim, tel. 2501-4777.

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