Mobilidade: A força feminina no ciclismo

Ciclistas do grupo LuluFive, que estimula mulheres a pedalar

“O ciclismo não é apenas uma atividade ou esporte, ele transforma vidas. Toda mulher que chega para começar a pedalar vem por inúmeras razões, mas todas falam de superação, de autoestima e de segurança. O ciclismo transforma a vida de uma mulher, e quando a gente faz isso, a gente transforma a família inteira e também a sociedade”. Quem diz isso é a paulistana Gisele Gasparotto, de 39 anos, ciclista profissional desde 2009 e administradora de empresas, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV.

Fundadora da LuluFive, que atua com o ciclismo feminino, ela acredita na força do pedal para empoderar as mulheres. Além de programas de treinamento, trabalha com eventos e com o mercado corporativo. “Sou muito feliz por pedalar. O ciclismo nos torna mais resilientes e fortes, porque temos que superar desafios o tempo todo”.

Em ruas de grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, o desafio maior é escapar das “finas”, do desrespeito de motoristas e de assaltos. Nas estradas a missão também não é fácil, mas o movimento feminino ciclístico tem se fortalecido nos últimos cinco anos.

Vários grupos de mulheres se espalham pelo país, ajudando as meninas a ter mais segurança e autonomia. A capital paulista tem Bike Anjas, Saia na Noite, Pedalinas e Pedala Itaquera, na zona leste. Em Minas, o Pedal do Salto Alto existe há dez anos, e Curitiba conta com o Saia de Bike. E todo mundo só tem a ganhar com isso. Um dos indicadores universais de uma cidade segura é o número de mulheres que pedalam.

Autora do livro “Duas Rodas e um Destino – Guia Prático para Iniciantes do Ciclismo de Estrada”, recém-lançado pela editora Matrix, a ciclista Christiane Tilmann concorda. “Além da incrível sensação de liberdade, a bicicleta traz um empoderamento transformador”.

A autora, porém, reflete sobre a realidade brasileira: “Nossas cidades não estão preparadas para o fluxo de ciclistas, e motoristas não são conscientizados a respeitá-los, especialmente porque punições em casos de atropelamento não acontecem, diferentemente do que ocorre em outros países. Mas, mesmo diante das adversidades, eu estimulo o ciclismo”. Que a bicicleta possa ganhar cada vez mais espaço e respeito no Brasil, tornando-se uma atividade mais segura e prazerosa e melhorando a vida das pessoas nas cidades.

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