Mobilidade: amarelo contagiante

Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Eduardo Musa

Há um ano, quando decidiram abrir a Yellow, a primeira empresa de compartilhamento de bicicletas sem estações do país, os três sócios – Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Eduardo Musa – foram chamados de malucos. “As pessoas diziam que no Brasil isso jamais daria certo, que as pessoas destruiriam tudo, mas a gente sempre acreditou. E está indo muito bem. Estamos nos surpreendendo com a quantidade de viagens”, diz Ariel, que recebeu o Pro Coletivo para uma conversa. Só nas duas primeiras semanas da operação, deflagrada em agosto, 40 mil corridas foram realizadas.

Infelizmente, casos de vandalismo e roubo têm acontecido, mas isso representa pouco no cenário geral. E essas perdas inicias já estavam previstas pelos sócios. Tanto que as bicicletas são rastreadas por GPS, o que facilita a recuperação; foram feitas com peças que não se adaptam a outros modelos; e são cuidadas por um time de setenta “guardiões”, os funcionários contratados para fazer manutenção nas ruas.

A operação, que começou com 500 bikes espalhadas perto da Ciclovia Faria Lima, hoje já conta com duas mil magrelas e pretende fechar 2018 com 20 mil. “Queremos chegar a 120 mil bicicletas no ano que vem, um número necessário para São Paulo”, afirma Ariel, que foi o fundador, com Renato, da empresa 99. “O mais legal de tudo é que as pessoas estão querendo que funcione. Elas falam que essa é uma chance de provar que o Brasil pode dar certo, que dá para melhorar a nossa mobilidade”, ele diz. “E o nosso objetivo é realmente melhorar o trânsito de São Paulo. O problema da mobilidade se resolve com várias soluções, por isso temos também o patinete elétrico e mais adiante vamos ter a bicicleta elétrica”.

Para Ariel, a Yellow precisa envolver toda a população: motoristas de carro, de ônibus, taxistas, motociclistas, ciclistas e pedestres. “A gente depende que todos cuidem da Yellow e entendam que ela feita para melhorar a cidade”.

Quem observa o vaivém deslizante de bikes amarelas nas ruas se anima com a visão. Muita gente tem usado a bicicleta na hora do almoço e também nos horários de pico, uma forma de driblar o trânsito mais nervoso. O sistema é simples: você abre o app e vê em um mapa onde está a bicicleta mais próxima, coloca crédito e abre o cadeado com o código de barras QR na parte de trás da bicicleta. Ao terminar, é só estaciona-la em um algum lugar onde ela esteja visível e não atrapalhe o fluxo de pessoas, trancando o cadeado manualmente. O custo é de R$ 1 a cada 15 minutos.

Por estar solta nas ruas, a Yellow é aliada na integração ao transporte coletivo ou para atingir distâncias curtas. Simples, sem marcha, foi idealizada para andar quinze minutos em média, cerca de um ou dois quilômetros no máximo.

Se observarmos que 42,1% dos deslocamentos em carro próprio em São Paulo não ultrapassam os 2,5 km – viagens curtas que geram um alto custo para a cidade e a saúde da população -, o papel da Yellow torna-se ainda mais importante, melhorando o fluxo, reduzindo a poluição e transformando o dia a dia das pessoas.

601
VISUALIZAÇÕES