Mobilidade: Caminhando juntos até a escola

Crianças do grupo Carona a Pé

Em São Paulo, o retorno do calendário escolar costuma trazer no “pacote” os congestionamentos, as filas duplas, as buzinas e a poluição nos arredores das escolas. Já nos acostumamos com isso, parece normal, mas não é: no Japão e na maioria das cidades europeias, as crianças vão à escola a pé ou de transporte coletivo. Os pais as acompanham nos trajetos e nas caminhadas, até que elas possam adquirir independência para caminhar sozinhas ou com os colegas, com autonomia e cidadania.

Em Londres, em alguns bairros, há multas para os pais que desembarcam seus filhos de carro na porta da escola. O objetivo é proteger o entorno escolar, estimulando a sustentabilidade, a educação e a saúde. A professora Carolina Padilha se inspirou nesses valores para criar o Carona a Pé, em 2015. Seu objetivo foi sensibilizar e capacitar pais e crianças para que eles caminhem juntos rumo à escola. Os grupos que moram próximos saem diariamente, em horários pré-estabelecidos, seguindo rotas previamente determinadas.

Em conversa com o Pro Coletivo, Carolina contou sobre as novidades do projeto, que cresceu e hoje envolve dez escolas públicas e privadas em São Paulo e em Belo Horizonte, e mostrou as vantagens de adotar o transporte a pé para levar os filhos à escola. “Vencemos a etapa nacional do Prêmio Mapfre Inovação Social e em outubro representaremos o Brasil na categoria mobilidade urbana. Estamos felizes porque, com o prêmio, poderemos implementar o programa em muitas outras escolas do país”.

Para Carol, é um equivoco pensar que isolar as crianças significa protegê-las. “Quando as crianças ocupam os espaços públicos suas necessidades se tornam evidentes e isso faz com que os adultos repensem esse espaço. Uma cidade que é boa para as crianças também é boa para todos”.

E o que a rua pode ensinar às crianças e aos seus pais? “Que o espaço público é rico, diverso e de todos. É circulando pelas ruas que boas perguntas e reflexões surgirão, principalmente do que não está bom e poderia melhorar”.

Durante os quatro anos em que vem caminhando com crianças e pais, Carol conheceu as demandas dos alunos. As crianças precisam, por exemplo, de mais tempo para atravessar nas faixas: os tempos semafóricos são insuficientes para elas. “Estamos tentando levar essas necessidades para a esfera pública”.

A taxa de adesão ao programa é alta: 30% dos estudantes passam a ir com os grupos. O que conta para as crianças, além da sensação de pertencer a um grupo e da interação com colegas, é a possibilidade de participar da vida da cidade. “Depois que o Carona a Pé começa, ele engaja toda a escola e até o comércio local”, diz Carol, lembrando que em setembro fará um grande encontro de escolas em São Paulo para discutir questões como segurança, mobilidade e saúde infantil. Se sua escola tem interesse, é só entrar em contato pelo email carona@caronaape.com.br ou pelas redes sociais.

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