Mobilidade: Mais sorrisos, menos buzinas

Como você vive a cidade em que mora? Pergunta estranha? À primeira vista sim, mas nem tanto se percebermos que ela pode nos fazer entender o paraíso ou o inferno do nosso dia a dia. A nossa relação com a cidade é forjada no ir e vir do cotidiano, na sensação do ar fresco no rosto, ou mesmo na visão do sol que ilumina as casas, as árvores e as pessoas.

Há hoje muita gente cansada de congestionamento que resolveu vivenciar a cidade de uma forma mais leve, colocando o próprio corpo para caminhar e pedalar.

Além dessas vantagens, há a possibilidade de descobrir outra cidade, outra população. Você fica mais próximo de gente com muitas histórias bacanas para contar. Compartilha ideias, quebra paradigmas e preconceitos, colabora para gerar uma metrópole mais humana.

Mudar hábitos e cultura demanda tempo, pois estes processos só poderão acontecer junto a uma nova consciência a respeito desses assuntos. A noção de que o coletivo é boa alternativa ainda não está tão clara para a nossa sociedade.

Há uma frase, de autoria de Enrique Peñalosa, prefeito de Bogotá, que já se transformou em mantra por aí. E é realmente muito inteligente: “País rico não é aquele em que pobre anda de carro, é aquele em que o rico anda de transporte público”.

Quando poderemos dizer que temos essa riqueza social?

Para Peñalosa, a boa cidade é aquela em que ricos e pobres se encontram em atos culturais, no transporte público, nas praças, na calçada. “Somos pedestres, precisamos caminhar. Não somos felizes em gaiolas, encerrados entre muros. Por isso estamos mais felizes numa calçada de dez metros do que numa calçada de dois metros de largura”, ele diz.

A cidade deve ser pensada para crianças, idosos, deficientes, mas geralmente é desenhada para os adultos com carro, um resultado natural do “progresso”.

Como otimizar os argumentos a favor dessa cidade mais humanitária?

Uma reflexão se faz necessária para pensarmos e aproveitarmos melhor a nossa cidade. Uma cidade que deve ser feita para as pessoas serem mais felizes e terem mais saúde e bem-estar. Mais tempo livre, menos tempo de imobilidade no trânsito. Mais sorrisos e cantos, menos gritos e buzinas. Mais ar fresco e puro, menos fumaça e fuligem. Por que não?

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