Mobilidade: mestre da bicicleta

Bruno Uehara é um entusiasta da bicicleta: ele anda, vive, trabalha e pensa esta engenhosa e sustentável máquina 24 horas por dia. Arquiteto e urbanista formado pela Universidade de São Paulo, Bruno sempre teve interesse no funcionamento das coisas – e essa curiosidade também apareceu quando ele começou a andar de bicicleta, ainda menino.

Manual ajuda as pessoas a terem mais independência com sua bicicleta

Bruno Uehara, criador do manual “Anatomia da Bicicleta”. Foto: Tomás Senna

O resultado, depois de muito estudo – que incluiu uma imersão em Colorado, nos Estados Unidos, com o lendário Koichi Yamaguchi, um dos mais importantes construtores de bicicletas do mundo –, foi que ele se tornou um dos maiores especialistas no assunto. Trouxe para o Brasil a bike feita por ele e decidiu criar um manual sobre a anatomia da bicicleta.

No manual, cujo conteúdo está disponível para download gratuito no link tinyurl.com/y5dhqjg5, Bruno detalha todos os componentes e funções de uma bike. “Até agora foram mais de 7.000 downloads, e colho muitos frutos desse trabalho. Mas o que me deixa mais feliz é o retorno de pessoas que passaram a entender e usar melhor suas bicicletas”, ele diz.

Atualmente voluntário de um projeto paulistano chamado Treino na Laje, organizado por Sophia Bisilliat, onde ele faz manutenção de bicicletas das crianças do Capão Redondo, Bruno Uehara também está à frente da Escola Grow, um projeto desenvolvido pela empresa de aluguel de bikes e patinetes. “Em abril deste ano, conheci o lado social e inclusivo da Grow, e a necessidade de treinar e capacitar o time de campo, por meio de aulas de mecânica de bicicleta e patinete. O objetivo é preparar os jovens colaboradores de oficina e das operações de rua, garantindo que eles estejam preparados para o mercado de trabalho, seja dentro ou fora da Grow”, explica.

Para Bruno, a bicicleta é uma criação tão perfeita que ele não consegue encontrar pontos negativos. “Além de transformar o indivíduo, a sociedade, a cidade e o meio ambiente, ela também é uma ferramenta inclusiva e acessível. Tem um funcionamento belíssimo, de tão simples e eficientes que são seus mecanismos.

E, como se não bastasse, é uma das mais belas formas de expressão. Uma bicicleta normalmente diz muito sobre o seu dono. Forma e função em sua excelência, além de fazer bem para o coração, o corpo e a mente”, resume esse inspirado biker e mestre das magrelas, que sonha em melhorar a mobilidade paulistana.

Seus projetos incluem o incentivo do uso da bicicleta desde a infância – como fazem países como Holanda e Dinamarca –, a disseminação da importância do uso dos modais ativos e o estímulo constante da ocupação do espaço público. “Através de aulas, redes sociais, eventos, palestras… Enfim, quero mostrar que a bicicleta é transformadora e pode mudar nosso mundo para melhor”.

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