Modelo internacional e diva plus size, Fluvia Lacerda luta contra rótulos

Com sotaque de Roraima e jeito simples, Fluvia Lacerda fala livremente sobre seu corpo, que é instrumento do seu trabalho. Há quinze anos, ela é a principal referência da moda plus size no Brasil. Com uma carreira sólida em países como Estados Unidos, Austrália e México, Fluvia quebrou barreiras no mundo da moda ao mostrar que a mulher real não tem padrões, peso ou medidas pré-estabelecidas.

“Ser gorda não é um problema para mim, e isso não deveria ser ruim para ninguém”, ela diz. “Gorda não é palavrão”, inclusive, é o nome de seu livro, lançado em 2010. A obra conta sobre sua trajetória de empoderamento ao aceitar o próprio corpo e inspirar, assim, outras mulheres.

A modelo nasceu no Rio de Janeiro, mas foi logo cedo para Boa Vista, em Roraima, onde morou até os 16 anos. De lá, embarcou para Nova York, para estudar inglês, mas não imaginava que tudo mudaria ao ser descoberta por uma editora de moda em um ônibus na cidade americana. “Não conhecia nada sobre esse mercado, apenas gostava de roupas”.

Aos 38 anos, Fluvia já descobriu que se vestir é revolucionário e pode mudar a cabeça de muita gente. “Recebo milhares de mensagens nas redes sociais, algumas extremamente profundas sobre como meu trabalho ajudou a autoestima de muitas mulheres”. Somente no Instagram, a modelo tem 332 mil seguidores, entre brasileiros e estrangeiros.

Conhecida no mercado da moda como “a Gisele Bundchen plus size”, Fluvia participou de diversos trabalhos no exterior, foi capa da Vogue Itália – uma das revistas de moda mais conceituadas do mundo –, e fez campanha para marcas de grandes redes como Kmart, Tórrid, IGIGI e Fashion Bug.

Hoje, ela dispensa rótulos e comparações. Com personalidade forte e palavras sinceras, diz que já pode ser reconhecida pelo próprio trabalho. “Não preciso estar atrelada a ninguém e a nenhum padrão, sou modelo, tenho o corpo de muitas mulheres e as represento”.

E ela está certa. Segundo o Sebrae, 68% das brasileiras vestem 44 ou mais. Só que, apenas em 2010, o mercado da moda olhou para esse público, que é maioria, e ampliou a grade de numerações. Nesse mesmo ano, a resposta veio rápida: o faturamento foi de R$ 4 bilhões.

Uma loja ou mesmo uma linha de roupas plus size não faz mais sentido. “Graças à internet, a moda tem ficado mais inclusiva. As consumidoras não aceitam mais entrar em uma loja e não encontrar a roupa do seu número”.

Fluvia é porta-voz dessa mudança, mas ainda enfrenta resistência no seu próprio país. “Há muitas marcas que insistem em parar no número 42. Por isso, pretendo lançar minha própria grife”, promete. A modelo está de volta ao Brasil e trabalha duro para o desenvolvimento de uma linha de moda praia para mulheres reais.

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