Musical “Mágico di Ó” narra clássica história em forma de cordel

Elenco completo da peça. Foto: Divulgação

Cariri, Ceará, é o ponto de partida do espetáculo independente O Mágico di Ó, um local sem chuva e esperanças, de onde um grupo de nordestinos sai rumo  à São Paulo em busca de uma vida melhor. Versão em cordel do clássico O Mágico de Oz, o musical infantil idealizado por Vitor Rocha e Luiza Porto trata de lar, partidas e mudança de ponto de vista e traz músicas originais. A estreia está prevista para o dia 10 de agosto no Teatro João Caetano.

Ressignificado, o espetáculo traz um olhar mais brasileiro dos personagens do clássico e narra a história de Dorotéia, uma menina que não quer deixar sua casa no Nordeste, mas sem poder de escolha, embarca em um pau-de-arara junto com seus tios e outros retirantes em direção à capital paulista. Logo no início da viagem, o cordelista e versador Osvaldo passa a integrar o time de migrantes.

Como recompensa pelo lugar no caminhão, Osvaldo se propõe a contar uma história, distraindo os companheiros de viagem e estimulando a imaginação de Dorotéia, que pede que seja narrada uma história real. A partir daí realidade e fantasia se misturam na versão do cordelista, cujo enredo é a trajetória até São Paulo, e os companheiros de viagem se tornam personagens, os tios viram as bruxas boa e má e três outros viajantes se tornam Mamulengo, que na versão original é o Espantalho, Cabra-de-lata, adaptação do Homem de Lata, e Leão.

No texto escrito pelo dramaturgo Vitor Rocha, os personagens são humanizados e ganham novos propósitos. Doroteia deseja levar chuva para sua terra e ver um arco-íris cruzar o Cariri. O Mamulengo não tem um cérebro e por isso é ignorante e se acha o melhor espantalho do mundo. O Cabra-de-Lata não tem coração e, por ter visto muita tristeza em suas terras, não quer ter um. O Leão é folgado, encostado e lhe falta coragem para fazer as coisas e tomar uma atitude. A partir do momento que os três se tornam companheiros de viagem de Dorotéia, os objetivos de vida deles se transformam: o Mamulengo quer um cérebro, o Cabra, um coração e o Leão, coragem.

Para construir O Mágico di Ó, os idealizadores se inspiraram em grandes mestres nordestinos como Graciliano Ramos, Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto e na obra literária Terra de Cabinha, de Gabriela Romeu, além de se dedicarem aos estudos sobre a literatura de cordel. Luiza enxerga o musical como uma forma de agradecer a todos os artistas nordestinos e a todas as pessoas que ajudaram a construir o Brasil.

O espetáculo usa o ambiente nordestino para falar de lar, fugindo da premissa da seca, que permeia as histórias que envolvem a região, e tem a despedida como mote. A evolução dos personagens ao longo da narrativa mostra que é possível ter novos pontos de vista dentro de uma trajetória, dando um novo significado para as situações.

No elenco estão Elton Towersey, Thiago Sak, Lui Vizotto, Diego Rodda, Renata Versolato, Vitor Rocha e Luiza Porto, os dois últimos sendo idealizadores do musical.  A peça é dirigida por Ivan Parente e Daniela Stirbulov, tem produção de Claudia Miranda, direção musical é de Marco França e direção de arte de Juliana Porto e Silvia Ferraz.

Teatro João Caetano

R. Borges Lagoa, 650, Vila Clementino, tel. (11) 5573-3774. De 10 a 25 de agosto, aos sábados e domingos, 16h. Ingressos de R$ 8 a R$ 16.

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