Negócios de impacto social e ambiental promovem cidadania e geram benefícios para comunidades

Produção de óleo de pequi, na Aldeia Ngôjwêrê dos Kisêdjê, Terra Indígena Wawi

Em um país com uma população tão carente como a nossa, empreender é uma necessidade. Segundo o último censo do IBGE, 53 milhões de brasileiros não têm fonte de renda e outros 44 milhões vivem com menos de um salário mínimo.

Precisamos da criatividade do empreendedor para elaborar novos modelos de negócios – mais sustentáveis, éticos, justos e que estejam dispostos a acolher, ao invés de barrar, os milhões de pessoas que há anos batalham para ter acesso aos serviços básicos e à empregabilidade.

Enfim, o ideal é unir a rentabilidade ao desenvolvimento social. Para atar estas duas pontas é que surge o empreendedorismo social. Seu objetivo é solucionar problemas sociais e ambientais de forma autossustentável (sem depender de doações) e mantendo o diálogo constante com a comunidade afetada.

“Os negócios de impacto social são fundamentais para o Brasil, pois favorecem a educação, a saúde e a empregabilidade de uma grande parte da população, criando mais oportunidades e riquezas”, afirma Agostinho Turbian, presidente da GCSM, instituição que avalia empresas e empresários para prêmios de destaque. Atualmente, há 1002 empresas que atuam nessa linha, um crescimento de mais de 70% nos últimos dois anos.

Preservação ambiental

Todo produto carrega uma história. Embora a maioria das pessoas ignore a longa e intrincada cadeia produtiva por trás de qualquer item comprado, existe uma trajetória a ser cumprida até que ele chegue às mãos do consumidor. Se foi feito com trabalho análogo à escravidão ou com o desmatamento de áreas de preservação ambiental, é um eterno mistério.

Trabalho manual nas aldeias

O selo Origens Brasil traz uma luz para essa questão. Ao escanear um QR code nos produtos parceiros da iniciativa, o cliente tem acesso a uma plataforma que mostra como foi o processo de coleta, quem participou e onde aconteceu. Com esse rastreamento, a organização procura estimular as empresas a agir de forma ética com seus colaboradores, e sustentável com o meio ambiente.

O grande diferencial do Origens é trabalhar apenas em zonas de preservação ambiental, em parceria com populações locais como indígenas, quilombolas e extrativistas. Eles jamais desmatam para o plantio, coletam na natureza produtos como castanhas, mel e cogumelos. A organização também comercializa o artesanato dos povos originários, gerando renda e autonomia para parcelas historicamente excluídas.

Fundada em 2016, a empresa social atua em três grandes áreas de preservação (Xingu, Calha Norte e Rio Negro) em um total de 90 milhões de hectares e hoje conta com 14 empresas parceiras, entre elas o Grupo Pão de Açúcar e a Wickbold, com 1.450 produtores cadastrados.

O Origens Brasil procura aproximar a população urbana das zonas de conservação ambiental, valorizando esses territórios e quem os protegem. “Essas populações conseguiram conciliar, ao longo de gerações, o modelo de produção com o de preservação”, observa Patrícia Cota Gomes, engenheira florestal e coordenadora do Origens.

“O Brasil talvez seja um dos poucos países que têm a cultura dos povos bastante preservada. As empresas estão de olho nisso e nós queremos ser viabilizadores para os negócios da floresta”, complementa a coordenadora. Para ela, a biodiversidade é uma das maiores fontes de inspiração para a inovação econômica, tecnológica e farmacêutica. E o empreendedorismo social pode ser um braço forte nesta empreitada.

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