O caminhar da evolução

Foi a capacidade de andar que nos permitiu chegar onde estamos agora. Por que desprezar essa habilidade tão transformadora?

Após milhões de anos, nos vemos nesse momento do século 21, encapsulados em carros parados no trânsito e aspirando gases tóxicos. De acordo com uma pesquisa recente do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, as emissões aumentam muito em velocidades abaixo de 20 quilômetros por hora. “Isso é comum em congestionamentos, onde o movimento de acelerar e frear o veículo se repete com muita frequência, levando a um maior consumo de combustível”, explica o engenheiro ambiental Sérgio Ibarra Espinosa, que realizou o estudo.

São cerca de onze mil mortes por ano decorrentes da poluição apenas em São Paulo – e os carros são responsáveis por 73% das emissões. Nas filas das baias de escolas, mães e pais com suas SUVs aguardam para deixar os filhos com os motores ligados. Todos respiram gases poluentes, inclusive os pequenos, mas eles estão aliviados. Afinal, veem a criança entrar na escola com seu lanchinho orgânico a tiracolo…

Essa i-mobilidade toda e esse contrassenso na forma de ir e vir nos apontam para uma verdade muito clara: não somos bípedes à toa, precisamos andar. Sim: caminhar com as próprias pernas rumo a uma mobilidade mais sustentável, saudável e, principalmente, inteligente.

A nossa evolução – de homo habilis a homo sapiens, o humano moderno – foi moldada para que pudéssemos nos manter eretos, com a cabeça erguida e em movimento. Hoje, sentados a maior parte do dia e sem força nas pernas, estamos nos esquecendo de que foi a postura ereta que nos alavancou a evolução. Caminhar traz uma série de vantagens para a saúde do corpo e da mente. O filósofo Aristóteles já dizia que andar é imprescindível para pensar.

E você ainda pode pegar gosto por essa atividade com a ajuda de especialistas. A Corrida Amiga é uma rede de voluntários que auxilia, gratuitamente, as pessoas a se deslocar a pé nas cidades. Você se inscreve pelo site (corridamiga.org) e um voluntário poderá acompanhá-lo nos primeiros trajetos, além de compartilhar dicas de como andar e/ou correr, o uso da roupa mais adequada e as melhores rotas.

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