Projetos inovadores valorizam mão de obra e conceitos de reúso e desperdício zero

Artesãos do Projeto Akra (Foto: Kenji Nakamura)

O artesanato é tradicional em diversas comunidades e culturas e se baseia em uma produção de caráter familiar ou individual, em que as oficinas e as ferramentas são dos próprios artesãos, que realizam todas as etapas dessa produção, desde o preparo da matéria-prima até o acabamento dos produtos. Diferencia-se, assim, da produção industrial muito presente nas sociedades modernas, que atendem grandes demandas e, muitas vezes, podem não valorizar a mão de obra e a extração sustentável de materiais.

Mercado sustentável

O Projeto Akra, lançado há três anos pelo designer goiano radicado na Bélgica Samuray Martins, tem como missão beneficiar a produção artesã nacional nos estados do Maranhão e da Bahia. O processo de criação se baseia no “slow fashion” e envolve peças atemporais, sem apego aos calendários de lançamentos. Bolsas e artigos de homewear são produzidos com fibras do buriti e da palha da piaçava. Hoje, mais de 50 famílias são beneficiadas pelo projeto, que inclui a escola Pequeno Artesão, promovida pela iniciativa, que visa manter viva a cultura artesanal da região junto às novas gerações.

Artesãs na era digital

Peças feitas por artesãs da rede Asta

A Rede Asta é um negócio social que desde 2005 trabalha transformando artesãs em empreendedoras e resíduos em produtos bons, bonitos e sustentáveis. O projeto incentiva o desenvolvimento do artesanato brasileiro, o desperdício zero de materiais e já beneficiou mais de 20 mil pessoas – o objetivo é aumentar a renda das comunidades vulneráveis. O projeto oferece uma escola de negócios para as mulheres, estimula o networking entre elas e o mercado e faz também conexões com investidores.

Experiência feliz

Produção de fios de seda do Casulo Feliz

Localizado no bairro de Santa Felicidade, região carente na cidade de Maringá, no Paraná, o Casulo Feliz usa a mão de obra local para confeccionar fios de seda por processos naturais, com mínima intervenção de maquinário. A empresa se orgulha de ter nascido há 25 anos totalmente sustentável. Ela aproveita os casulos descartados pelo produtor e que iriam para o lixo, além de reciclar fios e tecidos de seda. A fiação é feita de forma a não haver praticamente nenhum resíduo dos fios e casulos ao final do processo.

As cores dos produtos são feitas de forma também natural, com tingimento vegetal proveniente de plantas e compostos. Esse processo de tingimento promove a reciclagem e remuneração extra para pequenos empresários e agricultores. Embalagens e mostruários são feitos com papéis reciclados ou com caixas e cones reaproveitados.

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