Redução do desperdício de água é essencial para a manutenção da vida

Brasil é o país com maior quantidade de água doce no mundo (12%)

A água está presente em quase todos os momentos de nossa existência, seja na higiene pessoal, no consumo e no preparo de alimentos, na produção de roupas, no transporte ou ainda para gerar energia, que é aplicada em indústrias e serviços que fazem parte da nossa rotina. “A água de boa qualidade é como a saúde e a liberdade: só tem valor quando acaba”, escreveu Guimarães Rosa no século passado, mas essa frase exige ainda mais atenção nos dias de hoje. Com as mudanças climáticas, o crescimento populacional, o desenvolvimento industrial e o desmatamento sem controle, estamos enfrentando uma situação de escassez de água nunca antes vivida.

Números divulgados no relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2017 apontam que 40% da população mundial vivem com escassez de água. Além disso, 1,8 bilhão de pessoas consomem água de fontes que não são protegidas. O Brasil, apesar de ser o país com a maior quantidade de água doce do mundo (12% das águas de rio estão aqui), despreza esse recurso vital. Cerca de cinco mil piscinas olímpicas de esgoto são lançadas todos os dias nos rios, lagos e no oceano brasileiro. E desastres como o maior vazamento de rejeitos minerais do mundo, que contaminou a bacia do rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo, marcam nossa história.

Diante desse cenário alarmante, várias medidas ajudam a reduzir o desperdício de água potável, como o uso de água “cinza” para descargas, e a reutilização de água da chuva para o abastecimento de áreas comuns em condomínios. Em maior escala, incentivar pesquisas para a melhor economia hídrica também faz a diferença.

Nova pegada

Projeto Observando os Rios da Fundação Mata Atlântica

Não imaginamos o quanto é necessário de água na produção de uma simples calça jeans. Para mudar esse quadro de desconhecimento, o projeto Vicunha Têxtil busca promover a transparência na cadeia da moda e incentiva o desenvolvimento de indicadores próprios na gestão sustentável da água de sua produção têxtil. Ela lançou recentemente a Pegada Hídrica Vicunha, que calcula o volume de água gasto em toda a sua cadeia de produção, desde o plantio do algodão até o final do processo produtivo, acompanhando o ciclo de vida de um jeans. O projeto tem parceria da H2O Company, Iniciativa Verde e Movimento Ecoera.

Desmistificar questões relacionadas à sustentabilidade na indústria da moda e trazer maior esclarecimento sobre o tema fazem parte desse programa, que possibilita a criação de estratégias para a redução do consumo de água, além de formas de compensação por meio de outros projetos socioambientais, como recuperação do solo e a conservação dos recursos hídricos naturais.

Observando os rios

A distribuição das águas doces no Brasil é muito desigual e os principais rios do país apresentam índices preocupantes em relação à qualidade. A Fundação SOS Mata Atlântica luta por água limpa e, por meio do projeto Observando os Rios, reúne voluntários e os mobiliza para monitorar a qualidade da água dos rios da Mata Atlântica.

Os resultados são divulgados periodicamente, como forma de alertar a sociedade e o poder público e contribuir para o aperfeiçoamento da legislação em torno desse tema. A iniciativa conta com mais de 250 grupos de monitoramento que analisam aproximadamente 300 pontos e 230 rios dos 17 estados com a Mata Atlântica, além do Distrito Federal. Cerca de 3,6 mil pessoas estão envolvidas e engajadas pela melhoria da qualidade da água dos rios. Atualmente, o projeto conta com o patrocínio das marcas Ypê e Coca-Cola.

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