Especial Brasil-Japão: A rua dos japoneses tradicionais

O bairro da Liberdade foi povoado por japoneses no início do século XIX e, após os anos 1970, também começou a receber chineses e sul-coreanos. Uma pequena rua, no entanto, preserva a essência japonesa dos tempos da imigração. Com início no Largo da Pólvora, na Avenida da Liberdade, e fim na Rua Galvão Bueno, defronte ao Hospital LeForte, a Rua Thomaz Gonzaga tem um único quarteirão de extensão e abriga estabelecimentos japoneses tradicionais – quiçá os primeiros a serem abertos em São Paulo. A maioria deles é até hoje comandada por famílias de imigrantes e seus patriarcas, ou então pelos filhos ou sobrinhos. Descubra nas próximas linhas um pouco da história de algumas dessas famílias e seus estabelecimentos.

Ban: Rua Thomaz Gonzaga, 18

Yaki udon e chawanmushi

Masanobu Haraguchi chegou ao Brasil em 1979, convidado para assumir o sushi bar do antigo Suntory. Em 2001, após passar por outras casas, decidiu abrir seu próprio restaurante a fim de elaborar pratos seguindo os ensinamentos de seu mestre Ban, que dá nome à casa. O menu, criado por Haraguchi, segue a gastronomia tradicional japonesa. Ele é quem comanda o sushi bar, enquanto seu sobrinho se ocupa dos pratos quentes. Desde 1979 até os dias de hoje Haraguchi é seguido por clientes fiéis. Lá, peça um chawanmushi, considerado por muitos o melhor da cidade.

– De ter. a sex., das 11h30 às 14h30 e das 18h às 22h30; sáb. e dom., das 11h30 às 15h30 e das 18h às 21h30.

 

Kenzo: Rua Thomaz Gonzaga, 45F

Niguiris e sushis variados, servidos aos pares

Takashi Okuno é pescador e muito crítico com relação às comidas japonesas que prova em São Paulo. Foram esses dois fatores que o levaram a abrir, há um ano, um restaurante extremamente caprichoso especializado em sushi. Todos os dias – exceto às segundas – é ele quem vai até os fornecedores escolher os peixes e outros frutos do mar para servir no Kenzo. Suas filhas Tina e Cinthia cuidam do atendimento enquanto Hiro Mitsu Kohno, amigo de infância da família Okuno, comanda o sushi bar. Tradicional, a casa foi batizada com o nome do único neto do fundador, o garoto Kenzo, de 13 anos.

– De seg. a sex. das 11h30 às 14h30 e 18h30 às 22h; sáb. e dom. das 12h às 15h e 18h30 às 22h

 

Ikkousha: Rua Thomaz Gonzaga, 45E

Tonkotsu lámen e porção de guiozas

Esta casa é uma das duas únicas em São Paulo especializadas em tonkotsu lámen. Este caldo, típico de Hakata, região sul de Honshu, é feito a partir do cozimento de ossos de porco por várias horas. Como acompanhamento, peça os famosos guiozas do restaurante.

De ter. a sex., das 11h30 às 15h e 18h às 22h.; sáb. das 11h às 15h30 e 18h às 22h; dom. das 11h às 15h30 e 18h às 21h.

 

Lamen Kazu: Rua Thomaz Gonzaga, 51

Kara misso lámen

A casa abriu na data dos 100 anos da imigração. A ideia do grupo era apresentar, no Festival do Japão daquele ano, o lámen como ele é feito em seu país de origem, com ingredientes importados (como fazem até hoje). O restaurante trabalha com três tipos de missô, além do shoyu lámen e do shio lámen.

– De seg. a sex. das 11h às 15h e 17h30 às 22h30; sáb. das 11h
às 15h30 e das 17h30 às 22h30 e dom. das 11h às 15h e 17h30 às 21h

 

Kintaro: Rua Thomaz Gonzaga, 57

Raiz de lótus, sardinha marinada e berinjela com missô

Dona Líria sobe a porta de correr do Kintaro sempre às 7h. Logo, começa a preparar os petiscos do dia. Ela e seu marido abriram o izakaya ¬ botequim japonês ¬ em 1993 para ter onde beber com os amigos. Por volta das 17h, Líria deixa o bar e um de seus filhos, Wagner, chega para atender os clientes no período mais movimentado. O lugar, pequeníssimo, tem um balcão com poucos assentos, opções de cervejas, destilados, porções e muitos bonecos de sumô. Isso porque Wagner e seu irmão são lutadores – ambos já disputaram campeonatos mundiais. Não passe por lá sem beber uma kirin ichiban e provar as porções da casa, que mudam diariamente. Para saber quais são as do dia, basta assistir aos stories do Instagram do estabelecimento: izakaya_kintaro.

– De seg. a qui. das 7h30 às 23h; sex. das 7h30 às 24h; sáb. das 7h30 às 21h.

 

Hinodê: Rua Thomaz Gonzaga, 62

Katsudon

Sekai veio do Japão, ainda de colo, no penúltimo navio de imigrantes, em 1971. Sua mãe trabalhou em casas como Sushiguen e Sushi-Yassu. Em 1999, ela decidiu comprar o restaurante Hinodê, fundado em 1965. A única condição do antigo dono era que o nome, que significa “sol nascente”, fosse mantido. O seu filho Sekai passou, então, três anos em Tóquio se especializando em gastronomia. Voltou no ano 2000, preparado para assumir o comando do Hinodê. O menu da casa, um dos mais extensos da Rua Thomaz Gonzaga, oferece mais de 90 itens, a fim de atender japoneses, integrantes da colônia em São Paulo e brasileiros.

– De seg. a sex. (exceto ter.) das 12h às 14h30 e das 18h30 às 22h30, sáb. das 12h às 15h e das 18h30 às 22h30, dom. das 12h às 16h e das 18h30 às 22h.

 

Kazu Cake: Rua Thomaz Gonzaga, 84

Choux cream tradicional

A doceria foi responsável por introduzir a moda do choux cream na Liberdade. A receita da casa, elaborada pelo chef Felipe Tadao, leva dois tipos diferentes de massa e recheio de creme de confeiteiro bem gelado com um toque secreto.

De seg. a dom. das 10h às 21h.

1029
VISUALIZAÇÕES