Sonia Hirsch mostra as vantagens de comer orgânicos

Autora de mais de vinte livros sobre alimentação e estilo de vida, a carioca Sonia Hirsch é uma referência quando o assunto é saúde. E saúde, para ela, é um patrimônio pessoal, que deve ser preservado por cada um. “Não é algo que se deve delegar a alguém, ao médico”, explica a escritora e palestrante. “E tem tudo a ver com a alimentação”.

É por isso que Sonia defende tanto os alimentos orgânicos, hoje em pauta devido ao Projeto de Lei (PL) 6299/2002, conhecido como “Pacote do Veneno”, que tramita no Congresso e busca afrouxar ainda mais a lei dos agrotóxicos no Brasil, flexibilizando suas regras.

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e o principal destino de agrotóxicos barrados no exterior. Isso significa, de acordo com estudos da ONU, que estamos mais vulneráveis a doenças crônicas como câncer, além de problemas neurológicos e endócrinos, entre outros.

Segundo Hirsch, os vegetais livres de venenos são saudáveis, têm mais sabor, não contaminam os agricultores e o meio ambiente, e seu uso apoia camponeses que trabalham a terra pessoalmente.

Mesmo sendo um pouco mais caros, valem a pena. “Quem dá valor à saúde investe neles o que gastaria com alimentos menos saudáveis, como refrigerantes e guloseimas”, pondera, lembrando que as pessoas podem plantá-los em casa. “Existe um movimento delicioso de jovens que estão espalhando hortas por terrenos baldios da cidade. No Rio, conheço uma dessas hortas comunitárias. Além de fornecer alimento de qualidade, a horta promove um tipo de organização espontânea entre os moradores da vizinhança”.

E como impedir que venenos proibidos em outros países sejam liberados no Brasil? “É difícil a sociedade barrar porque o Congresso libera. Esse problema faz parte da encrenca que é a política brasileira. O que a sociedade pode fazer é aumentar seu consumo de orgânicos, estimulando os agricultores a manter suas roças livres de pesticidas”, diz a escritora, lembrando o exemplo de Porto Alegre, que hoje conta com 30 feiras agroecológicas de grande sucesso. “Não é preciso ir ao mercado convencional”.

Cozinha aromática

A chef chilena Mylenne Signé, radicada no Brasil há trinta anos, sempre foi uma entusiasta da cozinha vegetariana e orgânica. Há 16 anos ela fundou o restaurante vegetariano Apfel Jardins, em São Paulo.

Nessa charmosa casa, todos os pratos são feitos com produtos orgânicos. O buffet oferece saladas, risotos, caldos, feijoada, suflês, massas e outras criações coloridas. O cardápio muda diariamente (a casa funciona de segunda a domingo) e contempla hortaliças orgânicas da estação. Mylenne aposta na sustentabilidade na gestão, com coleta seletiva, redução de desperdício, reuso da água e cultivo de ervas no seu jardim. Os preços são R$ 36,90 (durante a semana) e R$ 42,90, e o buffet infantil custa R$ 18 e R$ 20.

Apfel Jardins – Rua Bela Cintra, 1343, tel. 3062-3727.

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