Teatro Cultura Artística entra na fase final de sua reforma, e se prepara para abrir as portas em 2021

Em 2008, um grande incêndio destruiu o Teatro Cultura Artística, em São Paulo. Uma das principais obras do arquiteto Rino Levi, ele foi inaugurado em 1950 em duas noites de gala. “Os regentes foram ninguém menos do que Camargo Guarnieri e Heitor Villa-Lobos, que fez a sua primeira audição das ‘Bachianas Brasileiras n° 8’ na estreia”, conta Frederico Lohmann, superintendente da organização.

Durante as décadas seguintes, o teatro da rua Nestor Pestana – adornado por um espetacular painel assinado por Di Cavalcanti, felizmente não atingido no incêndio – se consolidou como um dos espaços mais tradicionais de São Paulo. Além de concertos e shows, acolheu peças memoráveis. A casa foi o último palco em que pisou Paulo Autran, em “O Avarento”, e recebeu mais de um milhão de pessoas com “O Mistério de Irma Vap”, de Marco Nanini e Ney Latorraca, entre outros espetáculos.

Teatro Cultura Artística

Teatro Cultura Artística agora conta com uma fachada. Fotos: Divulgação

Agora Lohmann comemora o final da primeira fase da reconstrução do teatro e a campanha para arrecadar fundos para iniciar a segunda e última fase. Trata-se de um projeto de R$ 100 milhões, em que já foram investidos R$ 65 milhões, doados por empresários e amigos da Sociedade Cultura Artística. “A fundação, as estruturas e as instalações já foram feitas, agora temos o acabamento, a compra de instrumentos e a finalização”, diz o superintendente, lembrando que a Cultura Artística é a instituição privada mais antiga da América Latina, fundada em 1912 por um grupo de empresários e intelectuais, incluindo o poeta Olavo Bilac.

O antigo edifício, antes do incêndio

Antes de ter a sua própria sede, a sociedade já se mantinha promotora da música clássica no Brasil, organizando espetáculos em outros teatros, como o centenário Municipal. Desde o triste incêndio de 2008, ela apresenta suas temporadas na Sala São Paulo, trazendo artistas de renome internacional.

Previsto para ser inaugurado em novembro de 2021, o novo Cultura Artística, desenhado pelo arquiteto Paulo Bruna, mantém um diálogo próximo com o projeto original de Rino Levi. Estarão de volta o piso azul de vidrotil, as colunas em pastilhas verde água, móveis dos anos 1950 e toda a volumetria do charmoso prédio, que agora tem vista para a Praça Roosevelt.

A Grande Sala do teatro

“Vamos nos integrar à cidade e à programação cultural”, ressalta Lohmann. “Teremos apresentações musicais de diversos estilos na Grande Sala, com 750 lugares, e espetáculos teatrais, shows menores e até cursos na Pequena Sala. A segurança e a tecnologia são essenciais, trouxemos uma empresa de consultoria que trabalhou na reforma do Lincoln Center, em Nova York”.

Os foyers históricos foram recuperados, abrigando livraria, café, restaurante e salas para músicos. A instituição tem um programa de bolsas de estudo que dá apoio a jovens músicos para alavancar suas carreiras.

Como acontece todos os anos, a temporada de 2020 será apresentada na Sala São Paulo e traz nomes internacionais de grande prestígio, como a Orquestra Nacional Russa, o quarteto austríaco Hagen, a pianista georgiana Kathia Buniatishvili e o tenor polonês Piotr Beczala.

São Paulo ganha com a reforma mais um polo cultural fantástico. De grande importância histórica, a Cultura Artística está mais viva do que nunca.

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