Um guia de Tóquio para uma experiência legítima

Tóquio é uma cidade de superlativos. São inúmeros os adjetivos para descrevê-la. É o olimpo para quem ama gastronomia, moda, arquitetura, música. A região metropolitana é formada por 23 bairros especiais, cada um com suas próprias regras, autonomia e prefeito. Ou seja, 23 cidades em uma só.

Pisar pela primeira vez na cidade provoca um misto de sentimentos. A paixão imediata costuma ser para todos. Não à toa, é cada vez mais concorrida. Em 2015 foram 11 milhões de estrangeiros em visita, e esse número só cresce com a chegada das Olimpíadas 2020, quando o governo espera receber 40 milhões de turistas no país.

Vista de dentro do Skytree

Ao contrário do que a maioria pensa, Tóquio não é uma cidade cara. É possível, por exemplo, fazer boas refeições por US$ 10. Aliás, comer em Tóquio está entre as melhores experiências que a metrópole oferece. São cerca de 80 mil restaurantes, 234 deles com estrela Michelin e menu custando em média US$ 60. É lá também que fica uma das estrelas Michelin mais baratas do mundo, o Tsuta, que mantém sua condecoração desde 2015 com seu saboroso lámen por meros US$ 10. Mas atenção, para saboreá-lo é necessário pegar uma senha no restaurante às 7h30 da manhã. Aproveite e visite antes o Tsukiji Fish Market, tome um café da manhã acompanhado do sushi mais fresco que você vai comer na vida, e siga para o Tsuta para chegar lá antes da senha ser distribuída. Importante: é comum restaurantes aceitarem pagamento somente em dinheiro, por isso tenha sempre ienes no bolso.

É possível circular de bicicleta numa boa pela cidade, mas o metrô é o principal meio de transporte. Compre um cartão Suica ou Pasmo em qualquer estação e vá abastecendo com ienes. Esses cartões são aceitos também para compras em lojas de conveniência e cafés. Não se preocupe em colocar crédito demais neles: no fim da viagem você pode resgatar o saldo em uma das estações principais.

Permita-se caminhar sem medo de se perder. Tóquio é a melhor cidade para isso, pois sempre há tesouros escondidos em qualquer lugar. É uma cidade verde e com muitos parques. O Yoyogi Park, em Shibuya, é um dos meus favoritos. Atrás dele se encontra um dos principais templos de Tóquio, o santuário Meiji, onde aos sábados é possível assistir a cerimônias de casamento. Mas o mais bonito é o Shinjuku Gyoen, um dos maiores parques da localidade. Já o Ueno Park tem a vantagem de abrigar vários museus, templos e até um zoológico.

Cerimônia de casamento no Meiji Shrine

Quem vai a Tóquio e não atravessa o famoso cruzamento em Shibuya, o maior do mundo, não visitou a cidade. É um espetáculo assistir 2.500 pessoas atravessando simultaneamente suas dez faixas. Outra visita obrigatória na capital japonesa é ao Senso-ji, o templo mais antigo e imponente da região.

Cruzamento em Shibuya

 

 

Senso-Ji

Tóquio é a meca para compras. Shoppings centers estão em todos os lugares. Marcas japonesas como Uniqlo e MUJI têm flagships em Ginza, a área mais chique da cidade. Mas esse é também o único lugar do mundo que tem uma livraria que vende apenas um título por mês, a Marioka Shoten.

Shibuya é a área mais movimentada e turística, além de ser uma das melhores para compras. Loft, Tokyu Hands, HMV Record, Neighborhood, BEAMS, Tower Records e Don Quijote estão entre as lojas que merecem uma visita.

A região abriga também meu yokocho (becos com mini bares para no máximo oito pessoas) favorito, o Nonbei. Com apenas duas ruelas de bares, o yokocho é bem mais local e menos turístico do que o famoso Golden Gai, em Shinjuku – lá são seis ruas com 200 bares!

Beco gastronômico em Shinjuku

Tomigaya, a área mais charmosa de Shibuya, é pequena, tranquila e cercada de cafés, lojas e bons restaurantes. O Little Nap Coffee, Flugen Cafe, Monocle Shop e Life Restaurant são alguns dos meus prediletos por ali.

Já Harajuku, lugar para ver e se visto, é jovem, extravagante e fashion. As famosas Cat Street e Takeshita Street, boas ruas de compras, ficam neste bairro. Se estiver precisando de uma pausa da culinária japonesa, experimente o suculento hambúrguer do The Great Burger. Ou, se preferir algo mais calmo, almoce no Eatrip, com menu à base de orgânicos. A avenida Omotesando, ao lado, é o lugar para apaixonados por arquitetura. Lojas em prédios ousados se enfileiram nela de ponta a ponta. O shopping Omotesando Hills, projetado pelo arquiteto Tadao Ando, e a loja Prada, construída em formato de caleidoscópio pelo escritório Herzog & de Meuron, estão lá. Para um café ou uma refeição rápida vá ao Commune 246, um jardim com food trucks, cafés e bar de cervejas artesanais para saborear ao ar livre.

Omotesando Hills

Para fugir do óbvio, visite Shimokitazawa e Koenji. São os bairros mais hipsters de Tóquio. Um paraíso para quem gosta de brechós, lojas de discos e café.

Bons museus não faltam em Tóquio. Meus favoritos são o Tokyo Photographic Art Museum, The National Art Center Tokyo, Nezu Museum, Yayoi Kusama Museum (compre ingressos antes da viagem), e o museu mais alto do mundo, o Mori Art, que ocupa os 53º e 54º andares do Roppongi Hills, além da 21_21 Design Sight, galeria de arte projetada pelo Tadao Ando. O Estúdio Ghibli tem um museu dedicado a ele, mas é imprescindível comprar ingresso antes de ir. O coletivo de arte interativa TeamLab acabou de ganhar seu próprio museu, o Mori Building Digital Art Museum.

Tóquio é tão fascinante de baixo quanto de cima. Para apreciá-la nas alturas, há várias opções. Uma das melhores é tomando um drink no fim do dia no The New York Bar, no Park Hyatt Tokyo, que ficou famoso em função do filme “Encontros e Desencontros”, de Sofia Coppola. O Tokyo Metropolitan Government Building é uma opção sem precisar desembolsar nenhum iene. Já o Tokyo Sky Tree é a torre mais alta do mundo com 634 metros de altura. São dois decks para observação, um a 350 e outro a 450 metros de altura.

Uma das coisas mais autênticas do Japão são os “audiophiles bars”, bares exclusivos para ouvir música com sistema de som de qualidade. Pequenos e dedicados a estilos específicos de música, têm de jazz, de rock, de música eletrônica, de funk, de post-classical. O Bonobo tem sempre ótimos DJs tocando para uma pista minúscula e animada. Entre muitas garrafas de bourbon e uísque, está uma coleção de mais de dez mil discos de vinil no JBS, o céu para amantes do jazz. Para os festeiros, o Unit, em Ebisu, raramente desaponta.

Para experimentar uma hospedagem tradicional, o Hoshinoya Tokyo oferece uma experiência de ryokan (hospedaria típica japonesa) cinco estrelas, em Chyoda. Culinária, tea time, onsen (tradicional casa de banho quente japonesa), spa e até um concierge por andar garantem uma estadia perfeita para escapar um pouco da eletrizante Tóquio e relaxar. Para curtir um cenário de filme, o Park Hyatt Tokyo não decepciona. Ele oferece hospedagem de primeira com vista privilegiada para a cidade e para o Monte Fuji.

Quarto do Hoshinoya Tokyo

Seleção dos imperdíveis

# Sushi não é a comida do dia a dia do japonês, mas não deixe de experimentar um bom restaurante dedicado a ele. O Rin, em Kagurazaka, tem apenas dez lugares e oferece uma experiência espetacular.

# Muito mais do que o aclamado sushi, kaiseki ryori é a epítome da culinária japonesa. É um verdadeiro banquete que nasceu das refeições simples servidas aos monges. Dois lugares que indico de olhos fechados são o Ishikawa Kagurazaka e o Ginza Kojyu, ambos com três estrelas Michelin.

# Para saborear um ótimo lámen, além do concorrido Tsuta, o Ginza Kagari está na lista Bib Gourmand Michelin. A estrela lá é o toripaitan soba, feito com caldo de galinha.

# O Kanae Izakaya, em Shinjuku, é tradicional, vive lotado, tem ótima seleção de sakês e sashimi de toro (a parte gorda do atum) a um preço acessível.

# Faça uma day trip para Hakone para relaxar em águas termais e experimentar um autêntico “onsen” no ryokan Hakone Yuryo, que tem preços bem em conta.

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